domingo, 18 de abril de 2010

Nueva Canción




Nueva Canción

Pues lo que pasa
Es que ni es preciso
Decir la verdad
Ya está
Si tuvieras la oportunidad
Tu entienderias que el amor
Es mayor que cualquier cosa
Que pudieras de hecho conocer

Estamos lejos de casa
Cerca de lo que podría ser
Un nuevo princípio
Con ganas de hacer acontecer

Cariño tenga certeza
Que en esta realidad
El miedo se ha olvidado
Al otro lado del mar

A veces me quedo pensando
En hacer la cosa cierta
Pues lo que pasa
Es que en el tema de corazón
No hay ninguna regla

Entoces siempre que dejes
De vivir el sentimiento
Por completo
Haces una tontería
La vida es sencilla por demasiado
Aunque te parezca el contrário

Autor: Bjota
Copy: Ana

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Blues da varanda






Blues da Varanda



Da varanda do quarto
Vejo a cara do mundo
Em cada passo que atravessa o meu olhar
Muitos rostos, diferentes caminhos
Na realidade, a felicidade
Não escolhe língua pátria

Da varanda do quarto
Vejo o céu e a cidade
As pessoas em largos passos
Sonhar não tem nacionalidade
A vida é para quem descobre
Que amar de verdade
É um caminho mais curto do que se pensa


Da janela do quarto
Vejo tudo com uma nitidez que cega
Tão simples...
É alma que entrega
Fechar os olhos
É se abrir para um mundo
Que sequer cabe em qualquer palavra
Ou pensamento.


Bjota / Barcelona

Dia Universal



DIA UNIVERSAL



Imagine como o mundo seria se fosse governado pelas mulheres. Diálogo no lugar de conflito, dominação transformando-se em compaixão. Solidariedade ao invés de violência. Todo desacordo seria uma movimentação de palavras e idéias e não uma guerra com sangue e destruição. Porque as mulheres são muito mais generosas: uma mãe enviaria uma carta ou email ao inimigo, mas nunca enviaria seus filhos para os campos de batalha. Qual ditadura ou golpe político foi instaurado por uma mulher? Um ser que carrega em si o dom da vida não começaria uma luta armada. A história prova que não!


Imagine como o mundo seria se fosse governado pelas mulheres. Parafraseando Lennon, você diria que “eu sou um sonhador, mas eu não sou o único”. Mulheres tem sensibilidade para dizer “EU TE AMO”, “PRECISO DE VOCÊ”, homem diz: eu faço e aconteço! “elas criam a vida e nós concebemos bombas para acabar com o maior número delas”. Ciúme doentio esse, não? Empresa petrolífera, química, automobilística, armamentista: quem dirige o caos usa terno, gravata e não saia!


Imagine como o mundo seria se fosse governado pelas mulheres. Mas o mundo já é de vocês: Terra, água, vida, planeta, beleza. Todas estas palavras são femininas ou você já ouviu falar de “Pai natureza”? A diferença está na definição dos significados: mundo masculino, UNIVERSO FEMININO. Sendo assim, pelo menos nesta crônica eu proclamo para todos os quadrantes, galáxias e dimensões que o dia 8 de março não é o dia internacional, mas sim o DIA UNIVERSAL DAS MULHERES. Que assim seja e assim será...


Bjota / Barcelona

segunda-feira, 8 de março de 2010

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Blues in me




Blues in me


Fim de tarde na lagoa
O suor do rosto
Tempera a vista
Sem embaçar o pensamento

A vida e seus mistérios
Nunca vão sintetizar
Os infinitos personagens
Que moram em mim

Só sei..
Que não somos
Uma pessoa só
A cada dia nasce
Um outro dentro de nós

Mas se quiser me conhecer
Siga o vento...

Se quiser me entender
Solte a imaginação...

Se quiser me descobrir
Baby...siga sua intuição

Se quiser me amar
Não deixe de ouvir
A voz do seu coração

Para me esquecer
Cale a emoção e siga
Sabendo que a alma
Não apaga nenhum momento
Que viveu


Bjota

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Paralelepípedo


A letra "Paralelepípedo" faz parte do CD "La Plata", lançado em Outubro de 2008 pela banda mineira Jota Quest. Os versos dessa música sempre me chamaram a atenção. Quando descobri a música que é cantada de forma bastante simples, quase infantil, comecei a refletir um pouco mais sobre o sentido da letra e aos poucos fui chegando a pequenas conclusões.

A letra parece um jogo de versos, na linha "Arnaldo Antuniana". Me lembra a música "Poder" que faz parte do segundo disco solo de Arnado, "Silêncio", lançado em 1996 e que traz em seu vídeo clip grandes estrelas do rock brasileiro, entre elas: Roberto frejat, Nasi, Edgard Scandurra. Arnaldo cantava os seguintes versos: " pode ser loucura / pode ser razão / pode ser sim / pode ser não / pode ser Maria / pode ser João / pode ser carro / pode ser avião / eu só não sei porque eu e você / não pode não". Confesso que não sei se a letra "Paralelepípedo" é de autoria de Arnaldo ou de algum dos membros do Jota, sendo neste último caso, sim uma grata surpresa.

Me seduz a forma criativa e lírica com que os versos de "Paralelepípedo" brincam com a sonoridade e sentido das palavras. Em uma acepção mais real, paralelepípedo me remete a obstáculo, dificuldade. Você (seja de carro ou a pé) não caminha em uma rua de asfalto liso da mesma forma que caminha em uma rua com paralelepípedo. Caminha?

Aprecio o uso da expressão "para" que faz parte da palavra "para-lelepípedo" e se apresenta em toda letra, ganhando sempre destaque: "para a medicina luta / transfusão sanguínea". Este trecho admite um tremendo osbtáculo: você precisa lutar para ser um bom médico no Brasil e revela um contraponto de esperança: "transfusão sanguínea" que renova as energias quando acontece tanto para a vida, quanto para a medicina.

Segue a letra dizendo (melhor ainda, cantando): "paranóia nossa / turn off parabólica". Com tamanha carga de informação: TV, orkut, msn, twiter, blog, SMS, celular, GPS. Você precisa se desligar da parabólica de vez enquando, se não quiser que seu "HD" entre em curto circuito. O verso termina de forma bastante original: "parafraseando Otto / acabo de entrar / pra solidão... a cabo".

Genial! Passei o último feriado sozinho, totalmente sozinho em casa e também entrei pra solidão a cabo. Mesmo com tanta diversidade de companhia (leia-se: canais), a solidão a cabo é um tédio. Quando você está sozinho consigo mesmo, imerso em seus pensamentos e dúvidas, você sabe para onde ir? Mesmo escutando em baixo volume a música o verso abaixo amplifica: “pra onde é que eu vou agora / além de mim? E a terra prometida”? A terra prometida. Será o amor?

Em outra estrofe a letra de forma bastante visceral apresenta a dureza da vida e depois sugere um contraponto mais macio e suave: “Paralelepípedo / Para-lama sujo / Para-choque duro / Para além das flores”. O que pode ser mais duro que um paralelepípedo ou mais suave do que as flores?

Verso novo e nova proposta de reflexão: “paralise o mundo / aperte o parafuso”. Afinal, paralisar o mundo é uma ideia tão utópica que a pessoa deve mesmo apertar os parafusos da cabeça, para se reconectar a realidade.

Para quem se preocupa com as questões político/religiosas: “paranóia santa / turn off intolerância / parafraseando Yuka / a américa ninguém regula”. A questão palestina e israelense é uma paranóia santa, que incita a intolerância. Eu concordo plenamente com Yuka: com menos ganância, a américa resolveria a situação.

E a letra termina de forma apoteótica: “e as crianças / pára-raios / e a esperança / por quantas anda / os paparazzi da guerra / no asfalto quente / petrolíferas mentes.” E as crianças que (como pára-raios) absorvem parte de todo essa desenfreada ambição, sem ter um dedo de culpa?
E a esperança, por quantas anda em tempos de pré-sal? Os paparazzi da guerra (os senhores engravatados do planalto, Texas, Chicago, Londres, Washighton ou Riad) que em suas salas decidem o futuro do mundo e das guerras assistindo e se divertindo com todo caos, legítimos paparazzis da guerra. Ricos no dinheiro, pobres de alma ou se você preferir: “petrolíferas mentes”.
Obs: apenas para deixar registrado, escrever tantas vezes a palavra "Paralelepípedo" é um tremendo exercício de paciência e escrita. A propósito, a música é linda e vale apenas ser ouvida. "Para-zer" geral, segue link no youtube. http://www.youtube.com/watch?v=dfBhDZlKOcY
PARALELEPÍPEDO

PARALELEPÍPEDO
PARALELO ÚNICO
PÁRA-QUEDAS, VIDA!
PARA LER EPÍLOGOS

PARALISE O MUNDO!
APERTE O PARAFUSO!
PARA MEDICINA, LUTA!
TRANSFUSÃO SANGÜÍNEA!

PARANÓIA NOSSA?
TURN-OFF PARABÓLICA!
PARAFRASEANDO OTTO
ACABO DE ENTRAR PRA SOLIDÃO... A CABO

PRA ONDE É QUE EU CORRO AGORA?
PRA ALÉM DE MIM?
E A TERRA PROMETIDA?

PARALELEPÍPEDO
PÁRA-LAMA SUJO
PÁRA-CHOQUE DURO
PARA ALÉM DAS FLORES

PARALISE O MUNDO!
APERTE O PARAFUSO!
PARA MEDICINA, LUTA!
TRANSFUSÃO SANGÜÍNEA!

PARANÓIA SANTA?
TURN-OFF INTOLERÂNCIA!
PARAFRASEANDO YUKA
A AMÉRICA NINGUÉM REGULA

PRA ONDE É QUE EU CORRO AGORA?
PRA ALÉM DE MIM?
E A TERRA PROMETIDA?

E AS CRIANÇAS PÁRA-RAIOS?
A ESPERANÇA, A QUANTAS ANDA?
OS PAPARAZZI DA GUERRAO ASFALTO QUENTE
PETROLÍFERAS MENTES!!!


Autor: ainda desconhecido

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Crônica do Ensaio


Crônica do ensaio: chegada ou partida?


Dia desses fiz uma viagem longa de avião. Estava a noite e por essa razão não pude (como de costume) apreciar a paisagem pela janela da aeronave, uma vez que naquele momento eu só conseguia avistar pontinhos luminosos pelo chão. Confesso que em dias de céu azul, voar me causa um intenso prazer quando percebo que olhando lá de cima o mundo parece bonito e seguro.

Voltando a minha viagem noturna, depois de um início tranqüilo começo a ver clarões, nuvens carregadas e muita água pela janela. No corredor, a luzinha vermelha dos comissários acende com seu indefectível som e percebo que mergulhamos em uma turbulência de arrepiar.

O avião era chacoalhado para direita e para a esquerda, além de balançar bastante. Certamente é a mesma sensação de quem está dentro de um carro em uma estrada de terra muito esburacada. O vento parecia se incomodar com a nossa presença nos céus e nos empurrava com “tapas” que faziam barulho na estrutura do avião.

Dentro, eu procurava me distrair lendo uma revista e procurando idosos e criancinhas pelas poltronas do avião. Sim, porque sempre acreditei que Deus não derruba aviões cheios de “pessoas” indefesas. Avião com celebridade dificilmente cai também! Mas no meu vôo não tinha ninguém famoso. Nessa altura (com pequenos intervalos, a turbulência se estendia por mais de 40 minutos) e eu já nem sabia onde colocava as mãos. A única criança dentro do avião, se divertia com o balanço e ria de tudo. Então tive um acesso existencialista e comecei a pensar e repensar a minha própria vida. E se tudo acabasse agora? Teria valido a pena? Realizei tudo que gostaria de realizar? Cumpri minha missão? E a resposta causou ainda mais turbulência: NÃO!

Não é que eu morreria infeliz. Afinal, já me diverti muito em relação a idade que tenho. A verdade é que não morreria satisfeito. Isso sim! Partiria incomodado porque existem tantas coisas para serem feitas e vividas, lugares nunca visitados, pessoas especiais, que na minha opinião seria na falta de uma melhor palavra: injusto uma partida precoce, mesmo que tudo tenha uma razão de ser.

Comecei então a pensar em grandes pessoas, em grandes nomes que viveram ou vivem de forma longeva como: Ivo Pitanguy, Antônio Ermírio de Moraes e os falecidos Roberto Marinho, Carlos Drumond de Andrade e Paulo Autran. Todos acima dos 80 anos. Não que eu estivesse me comparando com estas figuras únicas e especiais, é que eu estava pensando apenas no melhor ser humano que eu poderia me transformar caso nada acontecesse, e claro, acabei me espelhando no que existe e existiu de melhor.

Enquanto o avião balançava, eu continuei pensando: “e se a vida fosse um longa-metragem, que nome eu daria ao meu filme?” Embora estivesse no meio de uma grande turbulência a resposta me veio clara e transparente, meu filme se chamaria: “Ensaio”. Porque sinto que ainda estou ensaiando para estrear no papel principal da vida: aqueles momentos onde alcançamos grandes realizações, conquistas e consequentemente, experimentamos uma felicidade até então desconhecida.

Na seqüência, me perguntei: é possível interromper um ensaio?! Se você não ensaiar, você não acerta. Concluí o seguinte: um ensaio só é interrompido se o “diretor” da peça julgar que você precisa desempenhar outras funções e te convocar para uma “conversa”, uma mudança de direção. Se for por desejo do “diretor”, a peça pode ser interrompida.

Pensando dessa forma, relaxei dentro do avião e soltei as mãos do encosto da poltrona que quase arranquei, enquanto balançavamos incessantemente. Não que o medo de partir tivesse ido embora. Nesse quesito, eu concordo com uma declaração do Cazuza, em dezembro de 1988, na TV Bandeirantes, extinto programa CARA a CARA com a Marília Gabriela, ele no auge de sua criação e já com os traços físicos que denunciavam o mal que lhe consumia. Depois de uma longa crise pulmonar em Boston e 15 dias em coma, Cazuza revelou na entrevista:

“Depois da crise, não é que eu não tenha mais medo de morrer. O medo de morrer é básico! Mas é que eu gosto tanto de estar vivo, que eu acho que morrer vai ser um desperdício”.

Depois da turbulência, não é que eu tenha mais medo de partir! Mas eu estou há tanto tempo ensaiando, que eu acho que uma conversa agora com o “diretor” seria um desperdício: de tempo, de energia e de vida.

O que eu posso dizer, é que o avião chegou em seu destino, eu tive dias maravilhosos, voltei pra casa com ainda mais energia para continuar ensaiando, já que a estréia da peça se anuncia cada vez mais próxima. E claro, depois de toda essa turbulência (inclusive existencial) algo ficou mais claro: o objetivo não é ser o melhor de todos, e sim, o melhor ser humano que eu puder me transformar. Escrever esta crônica dividindo medos e anseios acreditem, foi um tremendo exercício de crescimento e evolução.


Bjota


Pedra no rio



Pedra no rio...


Viver é sempre imprevisível e arriscado
Mesmo que você não queira sentir
E nem perceber...

Já pensou se Hitler não tivesse sido empossado?
E Stálin não tivesse nascido
O muro da vergonha não seria construído
Não haveria Hiroshima e Nagasáki
A Coréia não seria dividida
Vietcong seria apenas mais um nome
1964 seria apenas mais um ano no calendário
Ditadura, censura, tortura...
Seriam apenas palavras do nosso vocabulário
E não do dia-a-dia....

E se a dívida externa só fosse paga
Se todo nosso ouro fosse devolvido
Será que eles achariam graça?

Se Fidel já tivesse morrido
Che Guevara estivesse vivo
Será que haveria mesmo comunismo?

Quem garante que Buda, Jesus, Zoroastro
Não cometeram nenhum pecado?
Duvidar não é pecado
Pode ter certeza

E se Maomé fosse mesmo humano
E não santo?
Você diria que os meus versos são satânicos?

Se Kennedy tivesse usado capacete?
Cuba fosse invadida?
Estaríamos aqui mesmo?


E se Gêngis Kahn tivesse vencido a muralha?
Se a terra santa fosse repartida
Um único fato
Pode mesmo alterar todo curso da história?

Se todos percebessem que são filhos do mesmo pastor
Osama seria apenas mais um homem de barba
A América seria menos gananciosa
E Bagdá e Beirute seriam lindos cartões postais....


Se Einstein estivesse presente
Você embarcaria numa viagem
Para mudar o seu passado?

Se Lennon não tivesse sido assassinado?
Drumond não tivesse partido
Cazuza resistido
Haveria mais poesia?

Quem garante que Chico, Gil e Caetano
Estão acima de qualquer suspeita?
Pode acreditar
Também existe dúvida na certeza

E se tudo deixasse de ser e fosse
O “se” ainda teria o seu lugar?

Quem garante que gozar do lado de fora
Te salva de um filho antes da hora?
Quem garante que aquela não era a hora?

E se não existisse sapatão, gay ou gilete?
Fosse apenas sexualidade
Você me diria
Quem sem rótulo fica tudo muito chato?

Se o Brasil tivesse sido
Colônia de povoamento
E não de exploração
Haveria tanta fome
Para ser digerida na televisão?


Já imaginou ter Freud, Nietzsche, Sartre
Numa roda de bar?
Será que tantas perguntas
Estariam mesmo no ar?

E se o porão dos navios negreiros
Estivesse repleto de brancos
Você já pensou nos papéis invertidos?

Mesmo que você não queira sentir
E nem perceber
Um único fato
Pode mesmo alterar todo curso da história



Bjota




Avesso do contrário


AVESSO DO CONTRÁRIO

Aceitar tudo que o peito pede
É o oposto do que acontece
Será que na vida
O amor aparece
Mais de uma vez?

O avesso do contrário
Não tem razão de ser
É como nevar em Fortaleza
Que força sustenta as estrelas?
Baby... entender de amor
É se despedir de qualquer certeza


E a lua cheia lá fora
É testemunha
Que as verdades mais incompletas
São ditas, sempre na cama

O avesso do contrário
Não tem razão de ser
É como contar lágrimas na chuva
Quais são os traços da beleza?
Baby... entender de amor
É se despedir de qualquer certeza
Bjota

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Blues das Lembranças


BLUES DAS LEMBRANÇAS é uma das letras mais antigas que ainda tenho guardada no "baú". Há 13 anos eu estava numa tarde cinzenta e chuvosa, catando os cacos de um coração partido e sem porto seguro, escutando o recém lançado disco do BARÃO VERMELHO - "Carne Crua", quando de repente fui tocado pelo blues visceral e inspiradíssimo, chamado: "Superfície do Beijo". Salve Roberto Frejat - o "brou" como dizia Cazuza.

Era a história de um rapaz que via "encantos escondidos em certas pessoas, especiais como ela no seu jeito de se entregar". E a letra seguia antes do refrão dizendo:

"e eu que não esqueço das longas noites no Leblon: olhos, bocas, pés e tudo mais ... muito acima do chão".

O blues é um gênero genuinamente melancólico, de despedida, partida, insatisfação, eu vivia todos esses sentimentos naquele período, como reflexo deste OCEANO de sensações criei o BLUES DAS LEMBRANÇAS (se me LEMBRO bem) em exatos 15 minutos. Embora blusera e triste (diferente do meu atual estado de espírito) essa é sem dúvida uma das letras que mais gosto pela força das imagens poéticas e sobretudo por terminar com uma mensagem de esperança, uma forma não muito utilizada nas letras de blues.

LEMBRANDO daquela época, passando por outras dores e amores e chegando até o presente momento, fui percebendo com o passar dos anos que nada ou ninguém escapa das garras afiadas do tempo, que como navalha reduz a dor ou a saudade a fragmentos. A gente pode até ter pressa em apagar da memória cortes que marcam o coração, mas: "o tempo não tem mesmo pressa" E é ele quem dita as regras!




BLUES DAS LEMBRANÇAS

Se lembra da nossa despedida
Tão sem graça
Eu por cima
Você por baixo
Me dizendo deixa que eu faço
Qual foi o nosso problema?
Tempo de sobra ou falta de tempo

Eu lembro de você
Testando meu sexo iniciante
Me ensinando a ser amante
Fomos ingênuos
Quisemos correr contra o tempo
Mas o tempo não tem pressa
Paciência nesse jogo, é a principal peça

Baby ...que pena as coisas serem como são
E não do jeito que a gente quer
Seja como for
Eu gosto de você, como você é

Eu lembro da gente
Presos um ao outro
Como um detento no presídio
Longe da cura
A meio metro do perigo

Eu não sinto falta das lembranças
Não se esqueça ainda somos crianças
Ciclo, curso, rumo
O rótulo não tem importância
A gente acaba se encontrando
O tempo não tem mesmo pressa


Bjota

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Samba-Infantil




SAMBA-INFANTIL

Eu sou menino
Muito menino mesmo
Querendo colo, socorro, um carinho

Você não entende
Faz pose de sábia
Tem esse jeito maduro, mesquinho

Sou autônomo do coração
Baby, não tenho emprego fixo
Trabalho pelos bares, ruas, esquinas
Emprestando meu amor, tapando buracos vazios

E meu encanto não tem prazo de validade
Mas sou menino ... muito menino mesmo
Por isso você corre o risco
De um dia abraçar a saudade

E quando tudo se acerta
Eu sumo e levo comigo
Esse jeito de menino
Você indefesa ... grita: ladrão!
“Como pode esse moleque
Assaltar meu peito e levar embora aquela paixão ...”

“É que sou assim meio dado
Vou no teu colo, beijo, faço sua alegria
Canto o samba-infantil, falo da vida sem censura e você adora
Não percebe que sou menino ... muito menino mesmo
E depois de ganhar seu sorriso
Fujo em disparada”
Bjota

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Defina-se

Defina-se


O amor é o ódio ao contrário e a palavra sim é o não ao avesso? Então infelicidade quer dizer exatamente o quê? Porque até onde eu sei pessoas felizes também se deprimem, se questionam, se chateiam. A diferença que pessoas felizes usam sua inteligência e entendem que a infelicidade é um estado passageiro e ás vezes até necessário, mas não é preciso cultivá-la.

Ganhar mal, não ter um amor ou ter mais de um, atrasar o aluguel, andar de ônibus. Enfim cada um sabe o que lhe dói. Dedicar algum tempo de reflexão as suas dores e machucados funciona, mas fechar a cara para o mundo e entornar uma garrafa de uísque é tão produtivo quanto mudar a sua vida como um giro de 360 graus. Bêbado e puto você não vai a lugar algum.

Muito da nossa vida não depende do apenas do destino. As escolhas que fazemos por exemplo. Os amigos que você faz, se decidiu ser honesto ou malandro, se valoriza mais a grana do que a paz de espírito, se costuma correr atrás ou em busca do seus projetos (quem corre atrás nunca alcança), se reconhece os momentos de falar e se calar, se sai do país ou fica, se você cultiva a infelicidade ou busca a sua felicidade... enfim, esse tipo de coisa.

Nossas escolhas vão nos moldando, diariamente. E o resultado delas é a pessoa em que eu e você nos tornamos. Tem gente que é infeliz porque tem uma doença terminal e outros porque tem preguiça, escolhem não mudar de vida. Os que estão morrendo não podem escolher. Mas os outros, podem optar. É por isso que eu acredito que continua infeliz só quem quer. Se suas escolhas definem quem você é, então defina-se logo enquanto a vida lhe permite escolher.


OBS: esta crônica foi inspirada em texto da psicanalista Martha Medeiros.




quarta-feira, 22 de julho de 2009

Quem é ele?



Quem é ele?


Ele é brasileiro, um nome mais do que comum. Poderia fazer parte da tropicália ou da MPB, afinal em sua obra você encontra um pouco de Milton, Djavan e João Bosco. Ele poderia se chamar facilmente Caetano. Se fosse Chico poderia ser o Buarque que é antigo ou o Science que é moderno.

Com sua alma negra ele poderia ser Gil, Seu Jorge ou o outro Jorge, que pra mim será eternamente do “Bem”. Assumidamente popular e para outros definitivamente brega. Controvérsias e rótulos a parte, temos certeza que o Waldick, Jessé, Biafra, Falcão, o Sidney, Reginaldo e Genivaldo, Fábio Jr e porque não até o Paulo Ricardo de alguma forma nele se inspiram.

Quem é pop se mistura, se permite e arrisca. E ele de tão pop faz o rei desse gênero Lulu Santos ser rebaixado a príncipe. No rock: Titãs, Skank, Barão Vermelho e até o mineiro Flausino um dia gravaram músicas dele. Cazuza compôs uma letra em sua homenagem.

Ontem Betânia e Gal assumiram a paixão. No passado, Elis afirmou: “a voz de Milton Nascimento é a voz de Deus”. Se Milton é a voz, ele é o coração. Já hoje em dia as que tem sobrenome rústico e talento imenso: a Monte que é Marisa e a da Mata que é Vanessa, não escondem sua admiração. Ainda mais nova, Sandy se encanta com seus versos. Ana Carolina (quem diria) se derrete, Fafá de Belém é mais do que sorrisos (como se isso pra ela fosse possível) e a “Marrom” quase ficou branca de tanta emoção quando cantou com ele.

No samba e no funk alguns o paqueram: o Luiz Melodia, carioca (do Estácio e não da Gema) e como bom malandro, não assume suas paixões. Nem ele e nem a garota “sangue bom” Fernanda Abreu. Ainda no Rio de Janeiro, ele que desde cedo sempre foi muito bem relacionado morou na casa de Tim Maia e aprendeu com o "síndico" a batida do rock. Conhecendo Tim, eu acho que eles fumaram o cigarro proibido. E você?

O Zeca que hoje mais parece garoto propaganda do que músico quer gravá-lo, mas privilegiado é o barão de nome: Roberto. Ou se preferir: apenas Frejat. Esse foi mais longe e já gravou dele mais de uma canção. Mesmo não sendo baiano, o homenageado em questão fez muita festa ao receber em seu palco: Daniela Mercury, Simone e Ivete.

Aposto que suas músicas poderiam ter sido compostas por Maysa ou Lupcínio, já que ele é um perfeito cronista do coração que é feliz e do coração que se parte. Mas esses já partiram e por isso não poderemos eliminar essa dúvida.


Na TV as rainhas Xuxa e Hebe já se curvaram aos seus pés. E o Luciano que de Huck não tem nada, mas sabe de sua força, fez um programa inteiro em sua homenagem. O Faustão, o Raul, e aquele que é rei como ele: o Sílvio, também já bateram palmas para o seu talento. Dos tempos que o rock brotava, ele fez grandes amizades e amores: Silvinha era uma delas. Vanderléia ninguém confirma.

Pode-se dizer então e com razoável dose de certeza, que não existe no Brasil ninguém que nunca tenha ouvido uma única música sua e se existe esse não é brasileiro, porque só de carreira ele tem meio século de vida. Deve ser por isso que muitos o consideram um mito. Ou será por sua forma simples, jovem e ao mesmo antiga de falar do amor com tanta intimidade?
“São tantas emoções” que a gente ouve certas canções e acredita piamente no que ele diz: “bom é ser feliz e mais nada... nada”. Seu parceiro e grande amigo, é Carlos como ele e também pensa assim. Porém um se chama Erasmo e ele? Ele é o rei que se chama Roberto.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Canção Lógica


CANÇÃO LÓGICA

Não tem terapia que explique
Um jeito de entender
Nem filosofia que ensine
A lógica da vida
Como pode eu e você?

Como pode a distância
Aproximar duas vidas?
Me diz qual é a graça
De achar que o mundo
Já revelou todas as surpresas

E quando eu penso em você
Penso nas perguntas sem resposta
No valor de cada instante
A eternidade? É papo pra uma outra conversa!

Meu amor... não fique pensando um jeito de entender
O que nem a filosofia ensina
Na lógica da vida... tudo pode
Quando a distância aproxima duas vidas!

Bjota

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Muda


Muda

Muda, que quando a gente muda
O mundo muda com a gente.
A gente muda o mundo na mudança da mente.
E quando a gente muda, a gente anda pra frente.
E quando a gente manda na nossa vida, ninguém manda na gente.
Na mudança de atitude não há mal que não se mude
Nem doença sem cura.
Na mudança de postura a gente fica mais seguro,
Na mudança do presente a gente molda o futuro!
P.S: em um antigo computador, encontrei este lindo poema perdido, dentro de uma pasta perdida, num dia já perdido em meio a tantos dissabores. Não faço a menor idéia de quem o escreveu, mas seria uma grande perda da minha parte não publicá-lo. Então percebi que encontrar este poema em um momento tão delicado, mudou a minha ótica sobre dias sofridos:
"A gente muda o mundo na mudança da mente / E quando a gente muda, a gente anda pra frente".
Eu estou mudando e vocês?

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Improviso





IMPROVISO

Cada vez que a gente se encontra
Eu fico pensando comigo
A vida só vale a pena
Quando se tem um conflito

E depois do nosso beijo
Você sempre vira a cara
Trancada em si mesma
Sem saber que é sua a chave

Baby ... vamos ensaiar nosso improviso
Descomplicar o compromisso
O futuro são as pegadas do nosso próprio caminho

Cada vez que a gente se encontra
Eu fico pensando comigo
O mundo só tem graça
Depois de uma garrafa de vinho

E eu queria saber
Porque o seu jeito de fada
Assusta mas não encanta
Como pode você
Ter mais de uma cara?

Mas baby ... vamos ensaiar nosso improviso
Não complica, só quero um carinho
O futuro são as pegadas
Do nosso próprio caminho


Bjota



segunda-feira, 15 de junho de 2009

Hatha Yoga


"É no prazer que há o risco da perdição e é na forma sábia de enfrentar a dor que está o caminho para a realização"


"Religião é unir o que está distante. O que você fizer nesse sentido é religião, quer você esteja dentro de uma instituição religiosa ou fora dela"


"Nós temos que cuidar de nós mesmos. Deus cuida do mundo"
Prof. Hermógenes, é um escritor, professor e divulgador brasileiro de hatha Yoga. É fundador da Academia Hermógenes de Yoga no Rio de Janeiro.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Sou sei


Sou sei

Sou literatura, sobretudo poesia.
E-mails inesperados, frases espontâneas, letra de música.
Sou religião: Cristo, Buda, Zoroastro, Maomé, Kardec, diferentes caminhos que levam a mesma direção...

Sou tatuagem, suor, pêlo no peito, perfume ou cheiro de pele.
Na montanha: sou areia, no oceano planta.
Nem certo e nem errado, sou contrário.
Sou janela aberta, gota de chuva, garrafa de vinho, dúvida e certeza.
Sou a coragem de sentir medo.
Carinho, amizade, amor, afeto.
Tesão, tato, abraço e sexo também.

Sou mercúrio, setembro, virgem com ascendente em touro
Astrologia, ufologia, seriedade e besteira.
Sou esotérico, indeciso, impaciente, incompreendido.
Vaidoso, largado, vítima e culpado de mim mesmo.

Sou comunicação, lua em câncer, lado claro e oculto.
Inteligência, impulso, reflexão.
Teimosia, desobediência, atrevimento, sou recolhimento.
Cabelos pretos, sorriso tímido, olhos pequenos.
Sou dança desconcertada, beijos demorados, olhar determinado.
Surpresas, novidades, criação, redação.
Publicidade, atração, sedução, avanço e recuo.
Sucesso, ansiedade, incoerência, aprendizado, coração ora aberto, ora trancado.

Sou loucura, sanidade, insensatez, proibição.
Sou Londres, Nova Iorque, Munique, Barcelona, Moscou, Bahia, Belo Horizonte.
Sou liberdade, extremismo, excessos, serenidade, sem juízo.
Sou lembranças, saudades, lágrimas, sorrisos, gritos, raivas, rompantes, sou mineiro, humano, terráqueo, mistério, vida fora da Terra e dentro também, sou enigmas, segredos, parte do cosmos, força&luz.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Matéria prima




Matéria prima


Viver é a matéria prima da VIDA

No entanto MORRER

Priva a matéria da VIDA

Já em matéria de MORTE

Ensina a VIDA

Que o ato de MORRER

É o começo de outra VIDA ....


Bjota

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Nossa Letra parte II


Poetas adormecidos, "Nossa Letra" continua a tomar forma! Contribuam, criem, componham, libertem o pensamento, percam o medo e o juízo, ousem, arrisquem. Se alguém quiser melhorar os versos já existentes fiquem a vontade, pois a própria poesia entrega o propósito de tudo isso: "Nossa Letra".

Nossa Letra

Quando toda tentativa é em vão
O corpo busca, teima
Sustenta um desejo que não cala...
Para ouvir a voz do coração
E a batia do relógio informa
A realidade da sua ausência
Na eternidade de cada instante
A solidão é uma liberdade que não compensa
Do outro lado da tarde
A neblina esconde o sol
O céu se estende
E o coração voa
Até onde o olhar não alcança
Presente, passado, futuro, outrora
Não importa, quem namora
Vê as cores das flores
Mais coloridas
Nem precisa ser primavera
Autores: Bjota / Ana / Cecília / Flora / Tárcio