quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Pedra no rio



Pedra no rio...


Viver é sempre imprevisível e arriscado
Mesmo que você não queira sentir
E nem perceber...

Já pensou se Hitler não tivesse sido empossado?
E Stálin não tivesse nascido
O muro da vergonha não seria construído
Não haveria Hiroshima e Nagasáki
A Coréia não seria dividida
Vietcong seria apenas mais um nome
1964 seria apenas mais um ano no calendário
Ditadura, censura, tortura...
Seriam apenas palavras do nosso vocabulário
E não do dia-a-dia....

E se a dívida externa só fosse paga
Se todo nosso ouro fosse devolvido
Será que eles achariam graça?

Se Fidel já tivesse morrido
Che Guevara estivesse vivo
Será que haveria mesmo comunismo?

Quem garante que Buda, Jesus, Zoroastro
Não cometeram nenhum pecado?
Duvidar não é pecado
Pode ter certeza

E se Maomé fosse mesmo humano
E não santo?
Você diria que os meus versos são satânicos?

Se Kennedy tivesse usado capacete?
Cuba fosse invadida?
Estaríamos aqui mesmo?


E se Gêngis Kahn tivesse vencido a muralha?
Se a terra santa fosse repartida
Um único fato
Pode mesmo alterar todo curso da história?

Se todos percebessem que são filhos do mesmo pastor
Osama seria apenas mais um homem de barba
A América seria menos gananciosa
E Bagdá e Beirute seriam lindos cartões postais....


Se Einstein estivesse presente
Você embarcaria numa viagem
Para mudar o seu passado?

Se Lennon não tivesse sido assassinado?
Drumond não tivesse partido
Cazuza resistido
Haveria mais poesia?

Quem garante que Chico, Gil e Caetano
Estão acima de qualquer suspeita?
Pode acreditar
Também existe dúvida na certeza

E se tudo deixasse de ser e fosse
O “se” ainda teria o seu lugar?

Quem garante que gozar do lado de fora
Te salva de um filho antes da hora?
Quem garante que aquela não era a hora?

E se não existisse sapatão, gay ou gilete?
Fosse apenas sexualidade
Você me diria
Quem sem rótulo fica tudo muito chato?

Se o Brasil tivesse sido
Colônia de povoamento
E não de exploração
Haveria tanta fome
Para ser digerida na televisão?


Já imaginou ter Freud, Nietzsche, Sartre
Numa roda de bar?
Será que tantas perguntas
Estariam mesmo no ar?

E se o porão dos navios negreiros
Estivesse repleto de brancos
Você já pensou nos papéis invertidos?

Mesmo que você não queira sentir
E nem perceber
Um único fato
Pode mesmo alterar todo curso da história



Bjota




Avesso do contrário


AVESSO DO CONTRÁRIO

Aceitar tudo que o peito pede
É o oposto do que acontece
Será que na vida
O amor aparece
Mais de uma vez?

O avesso do contrário
Não tem razão de ser
É como nevar em Fortaleza
Que força sustenta as estrelas?
Baby... entender de amor
É se despedir de qualquer certeza


E a lua cheia lá fora
É testemunha
Que as verdades mais incompletas
São ditas, sempre na cama

O avesso do contrário
Não tem razão de ser
É como contar lágrimas na chuva
Quais são os traços da beleza?
Baby... entender de amor
É se despedir de qualquer certeza
Bjota

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Blues das Lembranças


BLUES DAS LEMBRANÇAS é uma das letras mais antigas que ainda tenho guardada no "baú". Há 13 anos eu estava numa tarde cinzenta e chuvosa, catando os cacos de um coração partido e sem porto seguro, escutando o recém lançado disco do BARÃO VERMELHO - "Carne Crua", quando de repente fui tocado pelo blues visceral e inspiradíssimo, chamado: "Superfície do Beijo". Salve Roberto Frejat - o "brou" como dizia Cazuza.

Era a história de um rapaz que via "encantos escondidos em certas pessoas, especiais como ela no seu jeito de se entregar". E a letra seguia antes do refrão dizendo:

"e eu que não esqueço das longas noites no Leblon: olhos, bocas, pés e tudo mais ... muito acima do chão".

O blues é um gênero genuinamente melancólico, de despedida, partida, insatisfação, eu vivia todos esses sentimentos naquele período, como reflexo deste OCEANO de sensações criei o BLUES DAS LEMBRANÇAS (se me LEMBRO bem) em exatos 15 minutos. Embora blusera e triste (diferente do meu atual estado de espírito) essa é sem dúvida uma das letras que mais gosto pela força das imagens poéticas e sobretudo por terminar com uma mensagem de esperança, uma forma não muito utilizada nas letras de blues.

LEMBRANDO daquela época, passando por outras dores e amores e chegando até o presente momento, fui percebendo com o passar dos anos que nada ou ninguém escapa das garras afiadas do tempo, que como navalha reduz a dor ou a saudade a fragmentos. A gente pode até ter pressa em apagar da memória cortes que marcam o coração, mas: "o tempo não tem mesmo pressa" E é ele quem dita as regras!




BLUES DAS LEMBRANÇAS

Se lembra da nossa despedida
Tão sem graça
Eu por cima
Você por baixo
Me dizendo deixa que eu faço
Qual foi o nosso problema?
Tempo de sobra ou falta de tempo

Eu lembro de você
Testando meu sexo iniciante
Me ensinando a ser amante
Fomos ingênuos
Quisemos correr contra o tempo
Mas o tempo não tem pressa
Paciência nesse jogo, é a principal peça

Baby ...que pena as coisas serem como são
E não do jeito que a gente quer
Seja como for
Eu gosto de você, como você é

Eu lembro da gente
Presos um ao outro
Como um detento no presídio
Longe da cura
A meio metro do perigo

Eu não sinto falta das lembranças
Não se esqueça ainda somos crianças
Ciclo, curso, rumo
O rótulo não tem importância
A gente acaba se encontrando
O tempo não tem mesmo pressa


Bjota

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Samba-Infantil




SAMBA-INFANTIL

Eu sou menino
Muito menino mesmo
Querendo colo, socorro, um carinho

Você não entende
Faz pose de sábia
Tem esse jeito maduro, mesquinho

Sou autônomo do coração
Baby, não tenho emprego fixo
Trabalho pelos bares, ruas, esquinas
Emprestando meu amor, tapando buracos vazios

E meu encanto não tem prazo de validade
Mas sou menino ... muito menino mesmo
Por isso você corre o risco
De um dia abraçar a saudade

E quando tudo se acerta
Eu sumo e levo comigo
Esse jeito de menino
Você indefesa ... grita: ladrão!
“Como pode esse moleque
Assaltar meu peito e levar embora aquela paixão ...”

“É que sou assim meio dado
Vou no teu colo, beijo, faço sua alegria
Canto o samba-infantil, falo da vida sem censura e você adora
Não percebe que sou menino ... muito menino mesmo
E depois de ganhar seu sorriso
Fujo em disparada”
Bjota

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Defina-se

Defina-se


O amor é o ódio ao contrário e a palavra sim é o não ao avesso? Então infelicidade quer dizer exatamente o quê? Porque até onde eu sei pessoas felizes também se deprimem, se questionam, se chateiam. A diferença que pessoas felizes usam sua inteligência e entendem que a infelicidade é um estado passageiro e ás vezes até necessário, mas não é preciso cultivá-la.

Ganhar mal, não ter um amor ou ter mais de um, atrasar o aluguel, andar de ônibus. Enfim cada um sabe o que lhe dói. Dedicar algum tempo de reflexão as suas dores e machucados funciona, mas fechar a cara para o mundo e entornar uma garrafa de uísque é tão produtivo quanto mudar a sua vida como um giro de 360 graus. Bêbado e puto você não vai a lugar algum.

Muito da nossa vida não depende do apenas do destino. As escolhas que fazemos por exemplo. Os amigos que você faz, se decidiu ser honesto ou malandro, se valoriza mais a grana do que a paz de espírito, se costuma correr atrás ou em busca do seus projetos (quem corre atrás nunca alcança), se reconhece os momentos de falar e se calar, se sai do país ou fica, se você cultiva a infelicidade ou busca a sua felicidade... enfim, esse tipo de coisa.

Nossas escolhas vão nos moldando, diariamente. E o resultado delas é a pessoa em que eu e você nos tornamos. Tem gente que é infeliz porque tem uma doença terminal e outros porque tem preguiça, escolhem não mudar de vida. Os que estão morrendo não podem escolher. Mas os outros, podem optar. É por isso que eu acredito que continua infeliz só quem quer. Se suas escolhas definem quem você é, então defina-se logo enquanto a vida lhe permite escolher.


OBS: esta crônica foi inspirada em texto da psicanalista Martha Medeiros.




quarta-feira, 22 de julho de 2009

Quem é ele?



Quem é ele?


Ele é brasileiro, um nome mais do que comum. Poderia fazer parte da tropicália ou da MPB, afinal em sua obra você encontra um pouco de Milton, Djavan e João Bosco. Ele poderia se chamar facilmente Caetano. Se fosse Chico poderia ser o Buarque que é antigo ou o Science que é moderno.

Com sua alma negra ele poderia ser Gil, Seu Jorge ou o outro Jorge, que pra mim será eternamente do “Bem”. Assumidamente popular e para outros definitivamente brega. Controvérsias e rótulos a parte, temos certeza que o Waldick, Jessé, Biafra, Falcão, o Sidney, Reginaldo e Genivaldo, Fábio Jr e porque não até o Paulo Ricardo de alguma forma nele se inspiram.

Quem é pop se mistura, se permite e arrisca. E ele de tão pop faz o rei desse gênero Lulu Santos ser rebaixado a príncipe. No rock: Titãs, Skank, Barão Vermelho e até o mineiro Flausino um dia gravaram músicas dele. Cazuza compôs uma letra em sua homenagem.

Ontem Betânia e Gal assumiram a paixão. No passado, Elis afirmou: “a voz de Milton Nascimento é a voz de Deus”. Se Milton é a voz, ele é o coração. Já hoje em dia as que tem sobrenome rústico e talento imenso: a Monte que é Marisa e a da Mata que é Vanessa, não escondem sua admiração. Ainda mais nova, Sandy se encanta com seus versos. Ana Carolina (quem diria) se derrete, Fafá de Belém é mais do que sorrisos (como se isso pra ela fosse possível) e a “Marrom” quase ficou branca de tanta emoção quando cantou com ele.

No samba e no funk alguns o paqueram: o Luiz Melodia, carioca (do Estácio e não da Gema) e como bom malandro, não assume suas paixões. Nem ele e nem a garota “sangue bom” Fernanda Abreu. Ainda no Rio de Janeiro, ele que desde cedo sempre foi muito bem relacionado morou na casa de Tim Maia e aprendeu com o "síndico" a batida do rock. Conhecendo Tim, eu acho que eles fumaram o cigarro proibido. E você?

O Zeca que hoje mais parece garoto propaganda do que músico quer gravá-lo, mas privilegiado é o barão de nome: Roberto. Ou se preferir: apenas Frejat. Esse foi mais longe e já gravou dele mais de uma canção. Mesmo não sendo baiano, o homenageado em questão fez muita festa ao receber em seu palco: Daniela Mercury, Simone e Ivete.

Aposto que suas músicas poderiam ter sido compostas por Maysa ou Lupcínio, já que ele é um perfeito cronista do coração que é feliz e do coração que se parte. Mas esses já partiram e por isso não poderemos eliminar essa dúvida.


Na TV as rainhas Xuxa e Hebe já se curvaram aos seus pés. E o Luciano que de Huck não tem nada, mas sabe de sua força, fez um programa inteiro em sua homenagem. O Faustão, o Raul, e aquele que é rei como ele: o Sílvio, também já bateram palmas para o seu talento. Dos tempos que o rock brotava, ele fez grandes amizades e amores: Silvinha era uma delas. Vanderléia ninguém confirma.

Pode-se dizer então e com razoável dose de certeza, que não existe no Brasil ninguém que nunca tenha ouvido uma única música sua e se existe esse não é brasileiro, porque só de carreira ele tem meio século de vida. Deve ser por isso que muitos o consideram um mito. Ou será por sua forma simples, jovem e ao mesmo antiga de falar do amor com tanta intimidade?
“São tantas emoções” que a gente ouve certas canções e acredita piamente no que ele diz: “bom é ser feliz e mais nada... nada”. Seu parceiro e grande amigo, é Carlos como ele e também pensa assim. Porém um se chama Erasmo e ele? Ele é o rei que se chama Roberto.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Canção Lógica


CANÇÃO LÓGICA

Não tem terapia que explique
Um jeito de entender
Nem filosofia que ensine
A lógica da vida
Como pode eu e você?

Como pode a distância
Aproximar duas vidas?
Me diz qual é a graça
De achar que o mundo
Já revelou todas as surpresas

E quando eu penso em você
Penso nas perguntas sem resposta
No valor de cada instante
A eternidade? É papo pra uma outra conversa!

Meu amor... não fique pensando um jeito de entender
O que nem a filosofia ensina
Na lógica da vida... tudo pode
Quando a distância aproxima duas vidas!

Bjota