sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Blues in me




Blues in me


Fim de tarde na lagoa
O suor do rosto
Tempera a vista
Sem embaçar o pensamento

A vida e seus mistérios
Nunca vão sintetizar
Os infinitos personagens
Que moram em mim

Só sei..
Que não somos
Uma pessoa só
A cada dia nasce
Um outro dentro de nós

Mas se quiser me conhecer
Siga o vento...

Se quiser me entender
Solte a imaginação...

Se quiser me descobrir
Baby...siga sua intuição

Se quiser me amar
Não deixe de ouvir
A voz do seu coração

Para me esquecer
Cale a emoção e siga
Sabendo que a alma
Não apaga nenhum momento
Que viveu


Bjota

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Paralelepípedo


A letra "Paralelepípedo" faz parte do CD "La Plata", lançado em Outubro de 2008 pela banda mineira Jota Quest. Os versos dessa música sempre me chamaram a atenção. Quando descobri a música que é cantada de forma bastante simples, quase infantil, comecei a refletir um pouco mais sobre o sentido da letra e aos poucos fui chegando a pequenas conclusões.

A letra parece um jogo de versos, na linha "Arnaldo Antuniana". Me lembra a música "Poder" que faz parte do segundo disco solo de Arnado, "Silêncio", lançado em 1996 e que traz em seu vídeo clip grandes estrelas do rock brasileiro, entre elas: Roberto frejat, Nasi, Edgard Scandurra. Arnaldo cantava os seguintes versos: " pode ser loucura / pode ser razão / pode ser sim / pode ser não / pode ser Maria / pode ser João / pode ser carro / pode ser avião / eu só não sei porque eu e você / não pode não". Confesso que não sei se a letra "Paralelepípedo" é de autoria de Arnaldo ou de algum dos membros do Jota, sendo neste último caso, sim uma grata surpresa.

Me seduz a forma criativa e lírica com que os versos de "Paralelepípedo" brincam com a sonoridade e sentido das palavras. Em uma acepção mais real, paralelepípedo me remete a obstáculo, dificuldade. Você (seja de carro ou a pé) não caminha em uma rua de asfalto liso da mesma forma que caminha em uma rua com paralelepípedo. Caminha?

Aprecio o uso da expressão "para" que faz parte da palavra "para-lelepípedo" e se apresenta em toda letra, ganhando sempre destaque: "para a medicina luta / transfusão sanguínea". Este trecho admite um tremendo osbtáculo: você precisa lutar para ser um bom médico no Brasil e revela um contraponto de esperança: "transfusão sanguínea" que renova as energias quando acontece tanto para a vida, quanto para a medicina.

Segue a letra dizendo (melhor ainda, cantando): "paranóia nossa / turn off parabólica". Com tamanha carga de informação: TV, orkut, msn, twiter, blog, SMS, celular, GPS. Você precisa se desligar da parabólica de vez enquando, se não quiser que seu "HD" entre em curto circuito. O verso termina de forma bastante original: "parafraseando Otto / acabo de entrar / pra solidão... a cabo".

Genial! Passei o último feriado sozinho, totalmente sozinho em casa e também entrei pra solidão a cabo. Mesmo com tanta diversidade de companhia (leia-se: canais), a solidão a cabo é um tédio. Quando você está sozinho consigo mesmo, imerso em seus pensamentos e dúvidas, você sabe para onde ir? Mesmo escutando em baixo volume a música o verso abaixo amplifica: “pra onde é que eu vou agora / além de mim? E a terra prometida”? A terra prometida. Será o amor?

Em outra estrofe a letra de forma bastante visceral apresenta a dureza da vida e depois sugere um contraponto mais macio e suave: “Paralelepípedo / Para-lama sujo / Para-choque duro / Para além das flores”. O que pode ser mais duro que um paralelepípedo ou mais suave do que as flores?

Verso novo e nova proposta de reflexão: “paralise o mundo / aperte o parafuso”. Afinal, paralisar o mundo é uma ideia tão utópica que a pessoa deve mesmo apertar os parafusos da cabeça, para se reconectar a realidade.

Para quem se preocupa com as questões político/religiosas: “paranóia santa / turn off intolerância / parafraseando Yuka / a américa ninguém regula”. A questão palestina e israelense é uma paranóia santa, que incita a intolerância. Eu concordo plenamente com Yuka: com menos ganância, a américa resolveria a situação.

E a letra termina de forma apoteótica: “e as crianças / pára-raios / e a esperança / por quantas anda / os paparazzi da guerra / no asfalto quente / petrolíferas mentes.” E as crianças que (como pára-raios) absorvem parte de todo essa desenfreada ambição, sem ter um dedo de culpa?
E a esperança, por quantas anda em tempos de pré-sal? Os paparazzi da guerra (os senhores engravatados do planalto, Texas, Chicago, Londres, Washighton ou Riad) que em suas salas decidem o futuro do mundo e das guerras assistindo e se divertindo com todo caos, legítimos paparazzis da guerra. Ricos no dinheiro, pobres de alma ou se você preferir: “petrolíferas mentes”.
Obs: apenas para deixar registrado, escrever tantas vezes a palavra "Paralelepípedo" é um tremendo exercício de paciência e escrita. A propósito, a música é linda e vale apenas ser ouvida. "Para-zer" geral, segue link no youtube. http://www.youtube.com/watch?v=dfBhDZlKOcY
PARALELEPÍPEDO

PARALELEPÍPEDO
PARALELO ÚNICO
PÁRA-QUEDAS, VIDA!
PARA LER EPÍLOGOS

PARALISE O MUNDO!
APERTE O PARAFUSO!
PARA MEDICINA, LUTA!
TRANSFUSÃO SANGÜÍNEA!

PARANÓIA NOSSA?
TURN-OFF PARABÓLICA!
PARAFRASEANDO OTTO
ACABO DE ENTRAR PRA SOLIDÃO... A CABO

PRA ONDE É QUE EU CORRO AGORA?
PRA ALÉM DE MIM?
E A TERRA PROMETIDA?

PARALELEPÍPEDO
PÁRA-LAMA SUJO
PÁRA-CHOQUE DURO
PARA ALÉM DAS FLORES

PARALISE O MUNDO!
APERTE O PARAFUSO!
PARA MEDICINA, LUTA!
TRANSFUSÃO SANGÜÍNEA!

PARANÓIA SANTA?
TURN-OFF INTOLERÂNCIA!
PARAFRASEANDO YUKA
A AMÉRICA NINGUÉM REGULA

PRA ONDE É QUE EU CORRO AGORA?
PRA ALÉM DE MIM?
E A TERRA PROMETIDA?

E AS CRIANÇAS PÁRA-RAIOS?
A ESPERANÇA, A QUANTAS ANDA?
OS PAPARAZZI DA GUERRAO ASFALTO QUENTE
PETROLÍFERAS MENTES!!!


Autor: ainda desconhecido

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Crônica do Ensaio


Crônica do ensaio: chegada ou partida?


Dia desses fiz uma viagem longa de avião. Estava a noite e por essa razão não pude (como de costume) apreciar a paisagem pela janela da aeronave, uma vez que naquele momento eu só conseguia avistar pontinhos luminosos pelo chão. Confesso que em dias de céu azul, voar me causa um intenso prazer quando percebo que olhando lá de cima o mundo parece bonito e seguro.

Voltando a minha viagem noturna, depois de um início tranqüilo começo a ver clarões, nuvens carregadas e muita água pela janela. No corredor, a luzinha vermelha dos comissários acende com seu indefectível som e percebo que mergulhamos em uma turbulência de arrepiar.

O avião era chacoalhado para direita e para a esquerda, além de balançar bastante. Certamente é a mesma sensação de quem está dentro de um carro em uma estrada de terra muito esburacada. O vento parecia se incomodar com a nossa presença nos céus e nos empurrava com “tapas” que faziam barulho na estrutura do avião.

Dentro, eu procurava me distrair lendo uma revista e procurando idosos e criancinhas pelas poltronas do avião. Sim, porque sempre acreditei que Deus não derruba aviões cheios de “pessoas” indefesas. Avião com celebridade dificilmente cai também! Mas no meu vôo não tinha ninguém famoso. Nessa altura (com pequenos intervalos, a turbulência se estendia por mais de 40 minutos) e eu já nem sabia onde colocava as mãos. A única criança dentro do avião, se divertia com o balanço e ria de tudo. Então tive um acesso existencialista e comecei a pensar e repensar a minha própria vida. E se tudo acabasse agora? Teria valido a pena? Realizei tudo que gostaria de realizar? Cumpri minha missão? E a resposta causou ainda mais turbulência: NÃO!

Não é que eu morreria infeliz. Afinal, já me diverti muito em relação a idade que tenho. A verdade é que não morreria satisfeito. Isso sim! Partiria incomodado porque existem tantas coisas para serem feitas e vividas, lugares nunca visitados, pessoas especiais, que na minha opinião seria na falta de uma melhor palavra: injusto uma partida precoce, mesmo que tudo tenha uma razão de ser.

Comecei então a pensar em grandes pessoas, em grandes nomes que viveram ou vivem de forma longeva como: Ivo Pitanguy, Antônio Ermírio de Moraes e os falecidos Roberto Marinho, Carlos Drumond de Andrade e Paulo Autran. Todos acima dos 80 anos. Não que eu estivesse me comparando com estas figuras únicas e especiais, é que eu estava pensando apenas no melhor ser humano que eu poderia me transformar caso nada acontecesse, e claro, acabei me espelhando no que existe e existiu de melhor.

Enquanto o avião balançava, eu continuei pensando: “e se a vida fosse um longa-metragem, que nome eu daria ao meu filme?” Embora estivesse no meio de uma grande turbulência a resposta me veio clara e transparente, meu filme se chamaria: “Ensaio”. Porque sinto que ainda estou ensaiando para estrear no papel principal da vida: aqueles momentos onde alcançamos grandes realizações, conquistas e consequentemente, experimentamos uma felicidade até então desconhecida.

Na seqüência, me perguntei: é possível interromper um ensaio?! Se você não ensaiar, você não acerta. Concluí o seguinte: um ensaio só é interrompido se o “diretor” da peça julgar que você precisa desempenhar outras funções e te convocar para uma “conversa”, uma mudança de direção. Se for por desejo do “diretor”, a peça pode ser interrompida.

Pensando dessa forma, relaxei dentro do avião e soltei as mãos do encosto da poltrona que quase arranquei, enquanto balançavamos incessantemente. Não que o medo de partir tivesse ido embora. Nesse quesito, eu concordo com uma declaração do Cazuza, em dezembro de 1988, na TV Bandeirantes, extinto programa CARA a CARA com a Marília Gabriela, ele no auge de sua criação e já com os traços físicos que denunciavam o mal que lhe consumia. Depois de uma longa crise pulmonar em Boston e 15 dias em coma, Cazuza revelou na entrevista:

“Depois da crise, não é que eu não tenha mais medo de morrer. O medo de morrer é básico! Mas é que eu gosto tanto de estar vivo, que eu acho que morrer vai ser um desperdício”.

Depois da turbulência, não é que eu tenha mais medo de partir! Mas eu estou há tanto tempo ensaiando, que eu acho que uma conversa agora com o “diretor” seria um desperdício: de tempo, de energia e de vida.

O que eu posso dizer, é que o avião chegou em seu destino, eu tive dias maravilhosos, voltei pra casa com ainda mais energia para continuar ensaiando, já que a estréia da peça se anuncia cada vez mais próxima. E claro, depois de toda essa turbulência (inclusive existencial) algo ficou mais claro: o objetivo não é ser o melhor de todos, e sim, o melhor ser humano que eu puder me transformar. Escrever esta crônica dividindo medos e anseios acreditem, foi um tremendo exercício de crescimento e evolução.


Bjota


Pedra no rio



Pedra no rio...


Viver é sempre imprevisível e arriscado
Mesmo que você não queira sentir
E nem perceber...

Já pensou se Hitler não tivesse sido empossado?
E Stálin não tivesse nascido
O muro da vergonha não seria construído
Não haveria Hiroshima e Nagasáki
A Coréia não seria dividida
Vietcong seria apenas mais um nome
1964 seria apenas mais um ano no calendário
Ditadura, censura, tortura...
Seriam apenas palavras do nosso vocabulário
E não do dia-a-dia....

E se a dívida externa só fosse paga
Se todo nosso ouro fosse devolvido
Será que eles achariam graça?

Se Fidel já tivesse morrido
Che Guevara estivesse vivo
Será que haveria mesmo comunismo?

Quem garante que Buda, Jesus, Zoroastro
Não cometeram nenhum pecado?
Duvidar não é pecado
Pode ter certeza

E se Maomé fosse mesmo humano
E não santo?
Você diria que os meus versos são satânicos?

Se Kennedy tivesse usado capacete?
Cuba fosse invadida?
Estaríamos aqui mesmo?


E se Gêngis Kahn tivesse vencido a muralha?
Se a terra santa fosse repartida
Um único fato
Pode mesmo alterar todo curso da história?

Se todos percebessem que são filhos do mesmo pastor
Osama seria apenas mais um homem de barba
A América seria menos gananciosa
E Bagdá e Beirute seriam lindos cartões postais....


Se Einstein estivesse presente
Você embarcaria numa viagem
Para mudar o seu passado?

Se Lennon não tivesse sido assassinado?
Drumond não tivesse partido
Cazuza resistido
Haveria mais poesia?

Quem garante que Chico, Gil e Caetano
Estão acima de qualquer suspeita?
Pode acreditar
Também existe dúvida na certeza

E se tudo deixasse de ser e fosse
O “se” ainda teria o seu lugar?

Quem garante que gozar do lado de fora
Te salva de um filho antes da hora?
Quem garante que aquela não era a hora?

E se não existisse sapatão, gay ou gilete?
Fosse apenas sexualidade
Você me diria
Quem sem rótulo fica tudo muito chato?

Se o Brasil tivesse sido
Colônia de povoamento
E não de exploração
Haveria tanta fome
Para ser digerida na televisão?


Já imaginou ter Freud, Nietzsche, Sartre
Numa roda de bar?
Será que tantas perguntas
Estariam mesmo no ar?

E se o porão dos navios negreiros
Estivesse repleto de brancos
Você já pensou nos papéis invertidos?

Mesmo que você não queira sentir
E nem perceber
Um único fato
Pode mesmo alterar todo curso da história



Bjota




Avesso do contrário


AVESSO DO CONTRÁRIO

Aceitar tudo que o peito pede
É o oposto do que acontece
Será que na vida
O amor aparece
Mais de uma vez?

O avesso do contrário
Não tem razão de ser
É como nevar em Fortaleza
Que força sustenta as estrelas?
Baby... entender de amor
É se despedir de qualquer certeza


E a lua cheia lá fora
É testemunha
Que as verdades mais incompletas
São ditas, sempre na cama

O avesso do contrário
Não tem razão de ser
É como contar lágrimas na chuva
Quais são os traços da beleza?
Baby... entender de amor
É se despedir de qualquer certeza
Bjota

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Blues das Lembranças


BLUES DAS LEMBRANÇAS é uma das letras mais antigas que ainda tenho guardada no "baú". Há 13 anos eu estava numa tarde cinzenta e chuvosa, catando os cacos de um coração partido e sem porto seguro, escutando o recém lançado disco do BARÃO VERMELHO - "Carne Crua", quando de repente fui tocado pelo blues visceral e inspiradíssimo, chamado: "Superfície do Beijo". Salve Roberto Frejat - o "brou" como dizia Cazuza.

Era a história de um rapaz que via "encantos escondidos em certas pessoas, especiais como ela no seu jeito de se entregar". E a letra seguia antes do refrão dizendo:

"e eu que não esqueço das longas noites no Leblon: olhos, bocas, pés e tudo mais ... muito acima do chão".

O blues é um gênero genuinamente melancólico, de despedida, partida, insatisfação, eu vivia todos esses sentimentos naquele período, como reflexo deste OCEANO de sensações criei o BLUES DAS LEMBRANÇAS (se me LEMBRO bem) em exatos 15 minutos. Embora blusera e triste (diferente do meu atual estado de espírito) essa é sem dúvida uma das letras que mais gosto pela força das imagens poéticas e sobretudo por terminar com uma mensagem de esperança, uma forma não muito utilizada nas letras de blues.

LEMBRANDO daquela época, passando por outras dores e amores e chegando até o presente momento, fui percebendo com o passar dos anos que nada ou ninguém escapa das garras afiadas do tempo, que como navalha reduz a dor ou a saudade a fragmentos. A gente pode até ter pressa em apagar da memória cortes que marcam o coração, mas: "o tempo não tem mesmo pressa" E é ele quem dita as regras!




BLUES DAS LEMBRANÇAS

Se lembra da nossa despedida
Tão sem graça
Eu por cima
Você por baixo
Me dizendo deixa que eu faço
Qual foi o nosso problema?
Tempo de sobra ou falta de tempo

Eu lembro de você
Testando meu sexo iniciante
Me ensinando a ser amante
Fomos ingênuos
Quisemos correr contra o tempo
Mas o tempo não tem pressa
Paciência nesse jogo, é a principal peça

Baby ...que pena as coisas serem como são
E não do jeito que a gente quer
Seja como for
Eu gosto de você, como você é

Eu lembro da gente
Presos um ao outro
Como um detento no presídio
Longe da cura
A meio metro do perigo

Eu não sinto falta das lembranças
Não se esqueça ainda somos crianças
Ciclo, curso, rumo
O rótulo não tem importância
A gente acaba se encontrando
O tempo não tem mesmo pressa


Bjota

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Samba-Infantil




SAMBA-INFANTIL

Eu sou menino
Muito menino mesmo
Querendo colo, socorro, um carinho

Você não entende
Faz pose de sábia
Tem esse jeito maduro, mesquinho

Sou autônomo do coração
Baby, não tenho emprego fixo
Trabalho pelos bares, ruas, esquinas
Emprestando meu amor, tapando buracos vazios

E meu encanto não tem prazo de validade
Mas sou menino ... muito menino mesmo
Por isso você corre o risco
De um dia abraçar a saudade

E quando tudo se acerta
Eu sumo e levo comigo
Esse jeito de menino
Você indefesa ... grita: ladrão!
“Como pode esse moleque
Assaltar meu peito e levar embora aquela paixão ...”

“É que sou assim meio dado
Vou no teu colo, beijo, faço sua alegria
Canto o samba-infantil, falo da vida sem censura e você adora
Não percebe que sou menino ... muito menino mesmo
E depois de ganhar seu sorriso
Fujo em disparada”
Bjota