sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Blues in me




Blues in me


Fim de tarde na lagoa
O suor do rosto
Tempera a vista
Sem embaçar o pensamento

A vida e seus mistérios
Nunca vão sintetizar
Os infinitos personagens
Que moram em mim

Só sei..
Que não somos
Uma pessoa só
A cada dia nasce
Um outro dentro de nós

Mas se quiser me conhecer
Siga o vento...

Se quiser me entender
Solte a imaginação...

Se quiser me descobrir
Baby...siga sua intuição

Se quiser me amar
Não deixe de ouvir
A voz do seu coração

Para me esquecer
Cale a emoção e siga
Sabendo que a alma
Não apaga nenhum momento
Que viveu


Bjota

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Paralelepípedo


A letra "Paralelepípedo" faz parte do CD "La Plata", lançado em Outubro de 2008 pela banda mineira Jota Quest. Os versos dessa música sempre me chamaram a atenção. Quando descobri a música que é cantada de forma bastante simples, quase infantil, comecei a refletir um pouco mais sobre o sentido da letra e aos poucos fui chegando a pequenas conclusões.

A letra parece um jogo de versos, na linha "Arnaldo Antuniana". Me lembra a música "Poder" que faz parte do segundo disco solo de Arnado, "Silêncio", lançado em 1996 e que traz em seu vídeo clip grandes estrelas do rock brasileiro, entre elas: Roberto frejat, Nasi, Edgard Scandurra. Arnaldo cantava os seguintes versos: " pode ser loucura / pode ser razão / pode ser sim / pode ser não / pode ser Maria / pode ser João / pode ser carro / pode ser avião / eu só não sei porque eu e você / não pode não". Confesso que não sei se a letra "Paralelepípedo" é de autoria de Arnaldo ou de algum dos membros do Jota, sendo neste último caso, sim uma grata surpresa.

Me seduz a forma criativa e lírica com que os versos de "Paralelepípedo" brincam com a sonoridade e sentido das palavras. Em uma acepção mais real, paralelepípedo me remete a obstáculo, dificuldade. Você (seja de carro ou a pé) não caminha em uma rua de asfalto liso da mesma forma que caminha em uma rua com paralelepípedo. Caminha?

Aprecio o uso da expressão "para" que faz parte da palavra "para-lelepípedo" e se apresenta em toda letra, ganhando sempre destaque: "para a medicina luta / transfusão sanguínea". Este trecho admite um tremendo osbtáculo: você precisa lutar para ser um bom médico no Brasil e revela um contraponto de esperança: "transfusão sanguínea" que renova as energias quando acontece tanto para a vida, quanto para a medicina.

Segue a letra dizendo (melhor ainda, cantando): "paranóia nossa / turn off parabólica". Com tamanha carga de informação: TV, orkut, msn, twiter, blog, SMS, celular, GPS. Você precisa se desligar da parabólica de vez enquando, se não quiser que seu "HD" entre em curto circuito. O verso termina de forma bastante original: "parafraseando Otto / acabo de entrar / pra solidão... a cabo".

Genial! Passei o último feriado sozinho, totalmente sozinho em casa e também entrei pra solidão a cabo. Mesmo com tanta diversidade de companhia (leia-se: canais), a solidão a cabo é um tédio. Quando você está sozinho consigo mesmo, imerso em seus pensamentos e dúvidas, você sabe para onde ir? Mesmo escutando em baixo volume a música o verso abaixo amplifica: “pra onde é que eu vou agora / além de mim? E a terra prometida”? A terra prometida. Será o amor?

Em outra estrofe a letra de forma bastante visceral apresenta a dureza da vida e depois sugere um contraponto mais macio e suave: “Paralelepípedo / Para-lama sujo / Para-choque duro / Para além das flores”. O que pode ser mais duro que um paralelepípedo ou mais suave do que as flores?

Verso novo e nova proposta de reflexão: “paralise o mundo / aperte o parafuso”. Afinal, paralisar o mundo é uma ideia tão utópica que a pessoa deve mesmo apertar os parafusos da cabeça, para se reconectar a realidade.

Para quem se preocupa com as questões político/religiosas: “paranóia santa / turn off intolerância / parafraseando Yuka / a américa ninguém regula”. A questão palestina e israelense é uma paranóia santa, que incita a intolerância. Eu concordo plenamente com Yuka: com menos ganância, a américa resolveria a situação.

E a letra termina de forma apoteótica: “e as crianças / pára-raios / e a esperança / por quantas anda / os paparazzi da guerra / no asfalto quente / petrolíferas mentes.” E as crianças que (como pára-raios) absorvem parte de todo essa desenfreada ambição, sem ter um dedo de culpa?
E a esperança, por quantas anda em tempos de pré-sal? Os paparazzi da guerra (os senhores engravatados do planalto, Texas, Chicago, Londres, Washighton ou Riad) que em suas salas decidem o futuro do mundo e das guerras assistindo e se divertindo com todo caos, legítimos paparazzis da guerra. Ricos no dinheiro, pobres de alma ou se você preferir: “petrolíferas mentes”.
Obs: apenas para deixar registrado, escrever tantas vezes a palavra "Paralelepípedo" é um tremendo exercício de paciência e escrita. A propósito, a música é linda e vale apenas ser ouvida. "Para-zer" geral, segue link no youtube. http://www.youtube.com/watch?v=dfBhDZlKOcY
PARALELEPÍPEDO

PARALELEPÍPEDO
PARALELO ÚNICO
PÁRA-QUEDAS, VIDA!
PARA LER EPÍLOGOS

PARALISE O MUNDO!
APERTE O PARAFUSO!
PARA MEDICINA, LUTA!
TRANSFUSÃO SANGÜÍNEA!

PARANÓIA NOSSA?
TURN-OFF PARABÓLICA!
PARAFRASEANDO OTTO
ACABO DE ENTRAR PRA SOLIDÃO... A CABO

PRA ONDE É QUE EU CORRO AGORA?
PRA ALÉM DE MIM?
E A TERRA PROMETIDA?

PARALELEPÍPEDO
PÁRA-LAMA SUJO
PÁRA-CHOQUE DURO
PARA ALÉM DAS FLORES

PARALISE O MUNDO!
APERTE O PARAFUSO!
PARA MEDICINA, LUTA!
TRANSFUSÃO SANGÜÍNEA!

PARANÓIA SANTA?
TURN-OFF INTOLERÂNCIA!
PARAFRASEANDO YUKA
A AMÉRICA NINGUÉM REGULA

PRA ONDE É QUE EU CORRO AGORA?
PRA ALÉM DE MIM?
E A TERRA PROMETIDA?

E AS CRIANÇAS PÁRA-RAIOS?
A ESPERANÇA, A QUANTAS ANDA?
OS PAPARAZZI DA GUERRAO ASFALTO QUENTE
PETROLÍFERAS MENTES!!!


Autor: ainda desconhecido

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Crônica do Ensaio


Crônica do ensaio: chegada ou partida?


Dia desses fiz uma viagem longa de avião. Estava a noite e por essa razão não pude (como de costume) apreciar a paisagem pela janela da aeronave, uma vez que naquele momento eu só conseguia avistar pontinhos luminosos pelo chão. Confesso que em dias de céu azul, voar me causa um intenso prazer quando percebo que olhando lá de cima o mundo parece bonito e seguro.

Voltando a minha viagem noturna, depois de um início tranqüilo começo a ver clarões, nuvens carregadas e muita água pela janela. No corredor, a luzinha vermelha dos comissários acende com seu indefectível som e percebo que mergulhamos em uma turbulência de arrepiar.

O avião era chacoalhado para direita e para a esquerda, além de balançar bastante. Certamente é a mesma sensação de quem está dentro de um carro em uma estrada de terra muito esburacada. O vento parecia se incomodar com a nossa presença nos céus e nos empurrava com “tapas” que faziam barulho na estrutura do avião.

Dentro, eu procurava me distrair lendo uma revista e procurando idosos e criancinhas pelas poltronas do avião. Sim, porque sempre acreditei que Deus não derruba aviões cheios de “pessoas” indefesas. Avião com celebridade dificilmente cai também! Mas no meu vôo não tinha ninguém famoso. Nessa altura (com pequenos intervalos, a turbulência se estendia por mais de 40 minutos) e eu já nem sabia onde colocava as mãos. A única criança dentro do avião, se divertia com o balanço e ria de tudo. Então tive um acesso existencialista e comecei a pensar e repensar a minha própria vida. E se tudo acabasse agora? Teria valido a pena? Realizei tudo que gostaria de realizar? Cumpri minha missão? E a resposta causou ainda mais turbulência: NÃO!

Não é que eu morreria infeliz. Afinal, já me diverti muito em relação a idade que tenho. A verdade é que não morreria satisfeito. Isso sim! Partiria incomodado porque existem tantas coisas para serem feitas e vividas, lugares nunca visitados, pessoas especiais, que na minha opinião seria na falta de uma melhor palavra: injusto uma partida precoce, mesmo que tudo tenha uma razão de ser.

Comecei então a pensar em grandes pessoas, em grandes nomes que viveram ou vivem de forma longeva como: Ivo Pitanguy, Antônio Ermírio de Moraes e os falecidos Roberto Marinho, Carlos Drumond de Andrade e Paulo Autran. Todos acima dos 80 anos. Não que eu estivesse me comparando com estas figuras únicas e especiais, é que eu estava pensando apenas no melhor ser humano que eu poderia me transformar caso nada acontecesse, e claro, acabei me espelhando no que existe e existiu de melhor.

Enquanto o avião balançava, eu continuei pensando: “e se a vida fosse um longa-metragem, que nome eu daria ao meu filme?” Embora estivesse no meio de uma grande turbulência a resposta me veio clara e transparente, meu filme se chamaria: “Ensaio”. Porque sinto que ainda estou ensaiando para estrear no papel principal da vida: aqueles momentos onde alcançamos grandes realizações, conquistas e consequentemente, experimentamos uma felicidade até então desconhecida.

Na seqüência, me perguntei: é possível interromper um ensaio?! Se você não ensaiar, você não acerta. Concluí o seguinte: um ensaio só é interrompido se o “diretor” da peça julgar que você precisa desempenhar outras funções e te convocar para uma “conversa”, uma mudança de direção. Se for por desejo do “diretor”, a peça pode ser interrompida.

Pensando dessa forma, relaxei dentro do avião e soltei as mãos do encosto da poltrona que quase arranquei, enquanto balançavamos incessantemente. Não que o medo de partir tivesse ido embora. Nesse quesito, eu concordo com uma declaração do Cazuza, em dezembro de 1988, na TV Bandeirantes, extinto programa CARA a CARA com a Marília Gabriela, ele no auge de sua criação e já com os traços físicos que denunciavam o mal que lhe consumia. Depois de uma longa crise pulmonar em Boston e 15 dias em coma, Cazuza revelou na entrevista:

“Depois da crise, não é que eu não tenha mais medo de morrer. O medo de morrer é básico! Mas é que eu gosto tanto de estar vivo, que eu acho que morrer vai ser um desperdício”.

Depois da turbulência, não é que eu tenha mais medo de partir! Mas eu estou há tanto tempo ensaiando, que eu acho que uma conversa agora com o “diretor” seria um desperdício: de tempo, de energia e de vida.

O que eu posso dizer, é que o avião chegou em seu destino, eu tive dias maravilhosos, voltei pra casa com ainda mais energia para continuar ensaiando, já que a estréia da peça se anuncia cada vez mais próxima. E claro, depois de toda essa turbulência (inclusive existencial) algo ficou mais claro: o objetivo não é ser o melhor de todos, e sim, o melhor ser humano que eu puder me transformar. Escrever esta crônica dividindo medos e anseios acreditem, foi um tremendo exercício de crescimento e evolução.


Bjota


Pedra no rio



Pedra no rio...


Viver é sempre imprevisível e arriscado
Mesmo que você não queira sentir
E nem perceber...

Já pensou se Hitler não tivesse sido empossado?
E Stálin não tivesse nascido
O muro da vergonha não seria construído
Não haveria Hiroshima e Nagasáki
A Coréia não seria dividida
Vietcong seria apenas mais um nome
1964 seria apenas mais um ano no calendário
Ditadura, censura, tortura...
Seriam apenas palavras do nosso vocabulário
E não do dia-a-dia....

E se a dívida externa só fosse paga
Se todo nosso ouro fosse devolvido
Será que eles achariam graça?

Se Fidel já tivesse morrido
Che Guevara estivesse vivo
Será que haveria mesmo comunismo?

Quem garante que Buda, Jesus, Zoroastro
Não cometeram nenhum pecado?
Duvidar não é pecado
Pode ter certeza

E se Maomé fosse mesmo humano
E não santo?
Você diria que os meus versos são satânicos?

Se Kennedy tivesse usado capacete?
Cuba fosse invadida?
Estaríamos aqui mesmo?


E se Gêngis Kahn tivesse vencido a muralha?
Se a terra santa fosse repartida
Um único fato
Pode mesmo alterar todo curso da história?

Se todos percebessem que são filhos do mesmo pastor
Osama seria apenas mais um homem de barba
A América seria menos gananciosa
E Bagdá e Beirute seriam lindos cartões postais....


Se Einstein estivesse presente
Você embarcaria numa viagem
Para mudar o seu passado?

Se Lennon não tivesse sido assassinado?
Drumond não tivesse partido
Cazuza resistido
Haveria mais poesia?

Quem garante que Chico, Gil e Caetano
Estão acima de qualquer suspeita?
Pode acreditar
Também existe dúvida na certeza

E se tudo deixasse de ser e fosse
O “se” ainda teria o seu lugar?

Quem garante que gozar do lado de fora
Te salva de um filho antes da hora?
Quem garante que aquela não era a hora?

E se não existisse sapatão, gay ou gilete?
Fosse apenas sexualidade
Você me diria
Quem sem rótulo fica tudo muito chato?

Se o Brasil tivesse sido
Colônia de povoamento
E não de exploração
Haveria tanta fome
Para ser digerida na televisão?


Já imaginou ter Freud, Nietzsche, Sartre
Numa roda de bar?
Será que tantas perguntas
Estariam mesmo no ar?

E se o porão dos navios negreiros
Estivesse repleto de brancos
Você já pensou nos papéis invertidos?

Mesmo que você não queira sentir
E nem perceber
Um único fato
Pode mesmo alterar todo curso da história



Bjota




Avesso do contrário


AVESSO DO CONTRÁRIO

Aceitar tudo que o peito pede
É o oposto do que acontece
Será que na vida
O amor aparece
Mais de uma vez?

O avesso do contrário
Não tem razão de ser
É como nevar em Fortaleza
Que força sustenta as estrelas?
Baby... entender de amor
É se despedir de qualquer certeza


E a lua cheia lá fora
É testemunha
Que as verdades mais incompletas
São ditas, sempre na cama

O avesso do contrário
Não tem razão de ser
É como contar lágrimas na chuva
Quais são os traços da beleza?
Baby... entender de amor
É se despedir de qualquer certeza
Bjota

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Blues das Lembranças


BLUES DAS LEMBRANÇAS é uma das letras mais antigas que ainda tenho guardada no "baú". Há 13 anos eu estava numa tarde cinzenta e chuvosa, catando os cacos de um coração partido e sem porto seguro, escutando o recém lançado disco do BARÃO VERMELHO - "Carne Crua", quando de repente fui tocado pelo blues visceral e inspiradíssimo, chamado: "Superfície do Beijo". Salve Roberto Frejat - o "brou" como dizia Cazuza.

Era a história de um rapaz que via "encantos escondidos em certas pessoas, especiais como ela no seu jeito de se entregar". E a letra seguia antes do refrão dizendo:

"e eu que não esqueço das longas noites no Leblon: olhos, bocas, pés e tudo mais ... muito acima do chão".

O blues é um gênero genuinamente melancólico, de despedida, partida, insatisfação, eu vivia todos esses sentimentos naquele período, como reflexo deste OCEANO de sensações criei o BLUES DAS LEMBRANÇAS (se me LEMBRO bem) em exatos 15 minutos. Embora blusera e triste (diferente do meu atual estado de espírito) essa é sem dúvida uma das letras que mais gosto pela força das imagens poéticas e sobretudo por terminar com uma mensagem de esperança, uma forma não muito utilizada nas letras de blues.

LEMBRANDO daquela época, passando por outras dores e amores e chegando até o presente momento, fui percebendo com o passar dos anos que nada ou ninguém escapa das garras afiadas do tempo, que como navalha reduz a dor ou a saudade a fragmentos. A gente pode até ter pressa em apagar da memória cortes que marcam o coração, mas: "o tempo não tem mesmo pressa" E é ele quem dita as regras!




BLUES DAS LEMBRANÇAS

Se lembra da nossa despedida
Tão sem graça
Eu por cima
Você por baixo
Me dizendo deixa que eu faço
Qual foi o nosso problema?
Tempo de sobra ou falta de tempo

Eu lembro de você
Testando meu sexo iniciante
Me ensinando a ser amante
Fomos ingênuos
Quisemos correr contra o tempo
Mas o tempo não tem pressa
Paciência nesse jogo, é a principal peça

Baby ...que pena as coisas serem como são
E não do jeito que a gente quer
Seja como for
Eu gosto de você, como você é

Eu lembro da gente
Presos um ao outro
Como um detento no presídio
Longe da cura
A meio metro do perigo

Eu não sinto falta das lembranças
Não se esqueça ainda somos crianças
Ciclo, curso, rumo
O rótulo não tem importância
A gente acaba se encontrando
O tempo não tem mesmo pressa


Bjota

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Samba-Infantil




SAMBA-INFANTIL

Eu sou menino
Muito menino mesmo
Querendo colo, socorro, um carinho

Você não entende
Faz pose de sábia
Tem esse jeito maduro, mesquinho

Sou autônomo do coração
Baby, não tenho emprego fixo
Trabalho pelos bares, ruas, esquinas
Emprestando meu amor, tapando buracos vazios

E meu encanto não tem prazo de validade
Mas sou menino ... muito menino mesmo
Por isso você corre o risco
De um dia abraçar a saudade

E quando tudo se acerta
Eu sumo e levo comigo
Esse jeito de menino
Você indefesa ... grita: ladrão!
“Como pode esse moleque
Assaltar meu peito e levar embora aquela paixão ...”

“É que sou assim meio dado
Vou no teu colo, beijo, faço sua alegria
Canto o samba-infantil, falo da vida sem censura e você adora
Não percebe que sou menino ... muito menino mesmo
E depois de ganhar seu sorriso
Fujo em disparada”
Bjota

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Defina-se

Defina-se


O amor é o ódio ao contrário e a palavra sim é o não ao avesso? Então infelicidade quer dizer exatamente o quê? Porque até onde eu sei pessoas felizes também se deprimem, se questionam, se chateiam. A diferença que pessoas felizes usam sua inteligência e entendem que a infelicidade é um estado passageiro e ás vezes até necessário, mas não é preciso cultivá-la.

Ganhar mal, não ter um amor ou ter mais de um, atrasar o aluguel, andar de ônibus. Enfim cada um sabe o que lhe dói. Dedicar algum tempo de reflexão as suas dores e machucados funciona, mas fechar a cara para o mundo e entornar uma garrafa de uísque é tão produtivo quanto mudar a sua vida como um giro de 360 graus. Bêbado e puto você não vai a lugar algum.

Muito da nossa vida não depende do apenas do destino. As escolhas que fazemos por exemplo. Os amigos que você faz, se decidiu ser honesto ou malandro, se valoriza mais a grana do que a paz de espírito, se costuma correr atrás ou em busca do seus projetos (quem corre atrás nunca alcança), se reconhece os momentos de falar e se calar, se sai do país ou fica, se você cultiva a infelicidade ou busca a sua felicidade... enfim, esse tipo de coisa.

Nossas escolhas vão nos moldando, diariamente. E o resultado delas é a pessoa em que eu e você nos tornamos. Tem gente que é infeliz porque tem uma doença terminal e outros porque tem preguiça, escolhem não mudar de vida. Os que estão morrendo não podem escolher. Mas os outros, podem optar. É por isso que eu acredito que continua infeliz só quem quer. Se suas escolhas definem quem você é, então defina-se logo enquanto a vida lhe permite escolher.


OBS: esta crônica foi inspirada em texto da psicanalista Martha Medeiros.




quarta-feira, 22 de julho de 2009

Quem é ele?



Quem é ele?


Ele é brasileiro, um nome mais do que comum. Poderia fazer parte da tropicália ou da MPB, afinal em sua obra você encontra um pouco de Milton, Djavan e João Bosco. Ele poderia se chamar facilmente Caetano. Se fosse Chico poderia ser o Buarque que é antigo ou o Science que é moderno.

Com sua alma negra ele poderia ser Gil, Seu Jorge ou o outro Jorge, que pra mim será eternamente do “Bem”. Assumidamente popular e para outros definitivamente brega. Controvérsias e rótulos a parte, temos certeza que o Waldick, Jessé, Biafra, Falcão, o Sidney, Reginaldo e Genivaldo, Fábio Jr e porque não até o Paulo Ricardo de alguma forma nele se inspiram.

Quem é pop se mistura, se permite e arrisca. E ele de tão pop faz o rei desse gênero Lulu Santos ser rebaixado a príncipe. No rock: Titãs, Skank, Barão Vermelho e até o mineiro Flausino um dia gravaram músicas dele. Cazuza compôs uma letra em sua homenagem.

Ontem Betânia e Gal assumiram a paixão. No passado, Elis afirmou: “a voz de Milton Nascimento é a voz de Deus”. Se Milton é a voz, ele é o coração. Já hoje em dia as que tem sobrenome rústico e talento imenso: a Monte que é Marisa e a da Mata que é Vanessa, não escondem sua admiração. Ainda mais nova, Sandy se encanta com seus versos. Ana Carolina (quem diria) se derrete, Fafá de Belém é mais do que sorrisos (como se isso pra ela fosse possível) e a “Marrom” quase ficou branca de tanta emoção quando cantou com ele.

No samba e no funk alguns o paqueram: o Luiz Melodia, carioca (do Estácio e não da Gema) e como bom malandro, não assume suas paixões. Nem ele e nem a garota “sangue bom” Fernanda Abreu. Ainda no Rio de Janeiro, ele que desde cedo sempre foi muito bem relacionado morou na casa de Tim Maia e aprendeu com o "síndico" a batida do rock. Conhecendo Tim, eu acho que eles fumaram o cigarro proibido. E você?

O Zeca que hoje mais parece garoto propaganda do que músico quer gravá-lo, mas privilegiado é o barão de nome: Roberto. Ou se preferir: apenas Frejat. Esse foi mais longe e já gravou dele mais de uma canção. Mesmo não sendo baiano, o homenageado em questão fez muita festa ao receber em seu palco: Daniela Mercury, Simone e Ivete.

Aposto que suas músicas poderiam ter sido compostas por Maysa ou Lupcínio, já que ele é um perfeito cronista do coração que é feliz e do coração que se parte. Mas esses já partiram e por isso não poderemos eliminar essa dúvida.


Na TV as rainhas Xuxa e Hebe já se curvaram aos seus pés. E o Luciano que de Huck não tem nada, mas sabe de sua força, fez um programa inteiro em sua homenagem. O Faustão, o Raul, e aquele que é rei como ele: o Sílvio, também já bateram palmas para o seu talento. Dos tempos que o rock brotava, ele fez grandes amizades e amores: Silvinha era uma delas. Vanderléia ninguém confirma.

Pode-se dizer então e com razoável dose de certeza, que não existe no Brasil ninguém que nunca tenha ouvido uma única música sua e se existe esse não é brasileiro, porque só de carreira ele tem meio século de vida. Deve ser por isso que muitos o consideram um mito. Ou será por sua forma simples, jovem e ao mesmo antiga de falar do amor com tanta intimidade?
“São tantas emoções” que a gente ouve certas canções e acredita piamente no que ele diz: “bom é ser feliz e mais nada... nada”. Seu parceiro e grande amigo, é Carlos como ele e também pensa assim. Porém um se chama Erasmo e ele? Ele é o rei que se chama Roberto.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Canção Lógica


CANÇÃO LÓGICA

Não tem terapia que explique
Um jeito de entender
Nem filosofia que ensine
A lógica da vida
Como pode eu e você?

Como pode a distância
Aproximar duas vidas?
Me diz qual é a graça
De achar que o mundo
Já revelou todas as surpresas

E quando eu penso em você
Penso nas perguntas sem resposta
No valor de cada instante
A eternidade? É papo pra uma outra conversa!

Meu amor... não fique pensando um jeito de entender
O que nem a filosofia ensina
Na lógica da vida... tudo pode
Quando a distância aproxima duas vidas!

Bjota

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Muda


Muda

Muda, que quando a gente muda
O mundo muda com a gente.
A gente muda o mundo na mudança da mente.
E quando a gente muda, a gente anda pra frente.
E quando a gente manda na nossa vida, ninguém manda na gente.
Na mudança de atitude não há mal que não se mude
Nem doença sem cura.
Na mudança de postura a gente fica mais seguro,
Na mudança do presente a gente molda o futuro!
P.S: em um antigo computador, encontrei este lindo poema perdido, dentro de uma pasta perdida, num dia já perdido em meio a tantos dissabores. Não faço a menor idéia de quem o escreveu, mas seria uma grande perda da minha parte não publicá-lo. Então percebi que encontrar este poema em um momento tão delicado, mudou a minha ótica sobre dias sofridos:
"A gente muda o mundo na mudança da mente / E quando a gente muda, a gente anda pra frente".
Eu estou mudando e vocês?

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Improviso





IMPROVISO

Cada vez que a gente se encontra
Eu fico pensando comigo
A vida só vale a pena
Quando se tem um conflito

E depois do nosso beijo
Você sempre vira a cara
Trancada em si mesma
Sem saber que é sua a chave

Baby ... vamos ensaiar nosso improviso
Descomplicar o compromisso
O futuro são as pegadas do nosso próprio caminho

Cada vez que a gente se encontra
Eu fico pensando comigo
O mundo só tem graça
Depois de uma garrafa de vinho

E eu queria saber
Porque o seu jeito de fada
Assusta mas não encanta
Como pode você
Ter mais de uma cara?

Mas baby ... vamos ensaiar nosso improviso
Não complica, só quero um carinho
O futuro são as pegadas
Do nosso próprio caminho


Bjota



segunda-feira, 15 de junho de 2009

Hatha Yoga


"É no prazer que há o risco da perdição e é na forma sábia de enfrentar a dor que está o caminho para a realização"


"Religião é unir o que está distante. O que você fizer nesse sentido é religião, quer você esteja dentro de uma instituição religiosa ou fora dela"


"Nós temos que cuidar de nós mesmos. Deus cuida do mundo"
Prof. Hermógenes, é um escritor, professor e divulgador brasileiro de hatha Yoga. É fundador da Academia Hermógenes de Yoga no Rio de Janeiro.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Sou sei


Sou sei

Sou literatura, sobretudo poesia.
E-mails inesperados, frases espontâneas, letra de música.
Sou religião: Cristo, Buda, Zoroastro, Maomé, Kardec, diferentes caminhos que levam a mesma direção...

Sou tatuagem, suor, pêlo no peito, perfume ou cheiro de pele.
Na montanha: sou areia, no oceano planta.
Nem certo e nem errado, sou contrário.
Sou janela aberta, gota de chuva, garrafa de vinho, dúvida e certeza.
Sou a coragem de sentir medo.
Carinho, amizade, amor, afeto.
Tesão, tato, abraço e sexo também.

Sou mercúrio, setembro, virgem com ascendente em touro
Astrologia, ufologia, seriedade e besteira.
Sou esotérico, indeciso, impaciente, incompreendido.
Vaidoso, largado, vítima e culpado de mim mesmo.

Sou comunicação, lua em câncer, lado claro e oculto.
Inteligência, impulso, reflexão.
Teimosia, desobediência, atrevimento, sou recolhimento.
Cabelos pretos, sorriso tímido, olhos pequenos.
Sou dança desconcertada, beijos demorados, olhar determinado.
Surpresas, novidades, criação, redação.
Publicidade, atração, sedução, avanço e recuo.
Sucesso, ansiedade, incoerência, aprendizado, coração ora aberto, ora trancado.

Sou loucura, sanidade, insensatez, proibição.
Sou Londres, Nova Iorque, Munique, Barcelona, Moscou, Bahia, Belo Horizonte.
Sou liberdade, extremismo, excessos, serenidade, sem juízo.
Sou lembranças, saudades, lágrimas, sorrisos, gritos, raivas, rompantes, sou mineiro, humano, terráqueo, mistério, vida fora da Terra e dentro também, sou enigmas, segredos, parte do cosmos, força&luz.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Matéria prima




Matéria prima


Viver é a matéria prima da VIDA

No entanto MORRER

Priva a matéria da VIDA

Já em matéria de MORTE

Ensina a VIDA

Que o ato de MORRER

É o começo de outra VIDA ....


Bjota

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Nossa Letra parte II


Poetas adormecidos, "Nossa Letra" continua a tomar forma! Contribuam, criem, componham, libertem o pensamento, percam o medo e o juízo, ousem, arrisquem. Se alguém quiser melhorar os versos já existentes fiquem a vontade, pois a própria poesia entrega o propósito de tudo isso: "Nossa Letra".

Nossa Letra

Quando toda tentativa é em vão
O corpo busca, teima
Sustenta um desejo que não cala...
Para ouvir a voz do coração
E a batia do relógio informa
A realidade da sua ausência
Na eternidade de cada instante
A solidão é uma liberdade que não compensa
Do outro lado da tarde
A neblina esconde o sol
O céu se estende
E o coração voa
Até onde o olhar não alcança
Presente, passado, futuro, outrora
Não importa, quem namora
Vê as cores das flores
Mais coloridas
Nem precisa ser primavera
Autores: Bjota / Ana / Cecília / Flora / Tárcio

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Crônica da Intuição II



Em termos de intuição, um sonho maluco pode fazer todo sentido. Um encontro desconfortável também. Um encontro daqueles que você vê sua ex-namorada de mãos dadas com alguém. Isso não é uma infeliz coincidência, acredite. Sua consciência precisa lhe passar algumas informações imprescindíveis ao seu crescimento e evolução, logo como um sopro ela lhe conduz até o local do encontro.

“A vida se manifesta em símbolos e é sábio aquele que em qualquer coisa pode ler outra”. Say Baba – Avatar Indiano.

Vários fatores como a crítica exagerada, o orgulho, a dissimulação, o descontrole no uso da palavra, o excesso de convicção, o apego abafam a voz da intuição. E a intuição no fundo, deseja apenas o seu bem estar. Não me lembro de alguém dizer: “tive uma intuição e quebrei a perna”.
Você pode ter embolado o cadaço do tênis, não parando para amarrá-lo, pode ter ouvido o grito da mamãe e pode ter negado todos esses fatores intuitivos, assumindo a convicção de pular o muro. Como eu já disse a intuição é muito sutil e precisa da sua sensibilidade. Os sonhos, encontros, sustos, podem machucar num primeiro momento, mas ninguém disse que crescer seria fácil. Alguém disse? Então não pule o muro com o cadaço desamarrado. Eu quebrei o braço assim.

Tudo bem, nesse tempo eu era um menino desobediente e cheio de convicções, mas ao longo do tempo percebi que quem desperta a intuição é aquela pessoa que procura crescer internamente, usando como ferramenta principal o desapego de tudo que já existe. É simplesmente aquele que acredita sem ver, confiando na própria evolução interna mesmo diante das circunstâncias mais desanimadoras.

A intuição é mágica, universal. Considera a realidade presente em cada instante, engloba todas conjunturas e coloca cada detalhe em seu devido lugar. Surge pronta e sem dúvidas: é ou não é. Vou ou não vou. Ninguém vai se assustar à toa, chorar, sorrir, ou se encantar à toa. A intuição traduz aquele ditado que a gente escuta desde criança: “tudo tem sua razão de ser”. Por mais doce ou doloroso que seja, a minha intuição diz que este ditado é perfeito. E a sua?


“Eu trocaria os números da Sena por um sonho intuitivo que me revelasse aquela tempestade, que no meio do caminho atravessou o número 447. Ás vezes “ele” escreve certo no caderno da vida, mas usa letras que ninguém consegue decifrar.

Ainda sim, intuitivamente sinto que os passageiros do vôo AIR FRANCE continuarão em algum lugar sua trajetória pois a nossa caminhada não tem fim e segue, se estende muito além do que os olhos podem ver....”

Aos parentes dos passageiros em pensamento segue meus sentimentos e consternação.

Bjota

Crônica da Intuição I




O significado da palavra intuição no dicionário é bastante técnico e limita a compreensão do termo porque procura trazer para a realidade uma sensação que é muito mais profunda que um conjunto de palavras pensadas pelo ser humano podem descrever. E falando em profundidade, se você souber mergulhar fundo em si mesmo pode encontrar o seu significado para a intuição.

Para mim, ela emerge sem a necessidade de reflexão, de concentração. Não se fundamenta em um único pensamento ou memória. Inclusive quem pensa demais pode obstacular o surgimento da intuição. Ela vem de dentro, sem regra e hora marcada. Parece um sopro, um flash, mas não é.

Acho que a intuição se revela quando o indivíduo organiza bem as idéias e desejos, de modo claro e coerente e assim os entrega ao coração. Dessa forma, o amor que é a energia que alimenta o coração flui pelo corpo irrigando a mente com a liberdade de pensamento. E para mim, essa liberdade é a força que faz a intuição brotar. Coração, alma e mente juntos e livres de qualquer apego. Não é uma equação engessada, mas imagino que seja assim e assim a intuição se revela.

Penso que a honestidade de propósito quanto ao que você deseja é fundamental nesse processo. Ter uma fé pura, estimula a intuição que cedo ou tarde vai lhe oferecer alguma resposta. Mas fique atento! A vida não entrega nada de graça e nesse caso você precisa pagar o preço da atenção aos mínimos detalhes que compõem a sua rotina. Pode parecer clichê, mas os detalhes fazem a diferença.

É preciso mais: soltar o nosso âmago de questões teóricas, econômicas, filosóficas, afetivas, morais e intelectuais que impedem a passagem das energias vindas da alma e do coração. Se você não se desprende, a intuição que é uma energia muito delicada e sutil surge, mas não é percebida.

Por exemplo: você fantasia em segredo um objetivo que quer alcançar, percebe que as coisas estão bastante complicadas, aí para espairecer liga o rádio e ouve um doido gritando: “quem tem um sonho não dança”. Poxa, essa música logo agora? Não pense muito, apenas agradeça sua intuição por fazer você ligar o rádio e renove as esperanças.


OBS: seguindo sábios conselhos, a partir de agora vou encurtar alguns textos, dividindo-os em 2 ou 3 partes. Assim os textos ficam menores e mais facéis de serem lidos. Em breve vou postar a segunda e mais emocionante parte desta crônica. Bjota

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Esboço



Gente!

O blog já está grávido da próxima poesia e tenho a impressão que será um lindo filho! A julgar pelos versos que recebi nascerá uma letra inspirada. Recebi uma poema da Ana e alguns versos da Cecília, com a permissão de vocês "bati no liquidifcador" para agora postar o primeiro esboço de "Nossa Letra". Aguardo mais e mais e mais versos, frases e pensamentos. Como a brisa do mar, desejo um sopro de entusiamo no coração de quem já está compondo.


Quando toda tentativa é em vão
O corpo busca, teima
Sustenta um desejo que não cala...
Para ouvir a voz do coração


E a batida do relógio informa
A realidade da sua ausência
Na eternidade de cada instante
A solidão, é uma liberdade que não compensa

Autores: Bjota/Ana/Cecília

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Nossa Letra




Meus queridos amigos (as) e vistantes desconhecidos do blog, a imagem já antecipa a razão deste post, mas este texto vai fundamentar minha idéia. Tenho prestado atenção nos vários comentários que as poesias e os textos recebem e venho percebendo que muitos de vocês possuem uma veia poética aguçada e talvez nem se apercebam disso. Comentários inteligentes, lúcidos, colocações precisas e inspiradas, melhor dizendo: poéticas. Acreditem: vocês tem talento. Eu estou impressionado!

Gostaria então de fazer um convite a todos. Vamos fazer uma letra/poesia juntos? Afinal o próprio nome do blog nos permite ousar e ir além: "Versos sem rima". Convoco a todos para deixar um ou mais versos que rimem com os versos já existentes e assim vamos criando/construindo a poesia "Nossa Letra", cujo título está propenso a alterações. Posso receber os trechos de cada um pelo (hotmail) ou pelo espaço comentários do blog e juntos vamos encaixando as novas partes e discutindo a respeito da possibilidade de permancência ou não dos versos.

Vou iniciar o processo com um verso meu criado recentemente, na semana passada para ser mais preciso. Na verdade não desenvolvi nada além deste verso, por isso estou o escolhendo para ser a nossa base. Também tenho uma estrofe pronta e amanhã vou postá-la aqui para decidirmos se devemos começar "Nossa letra" apenas pelo verso ou pela estrofe que já existe. A idéia é fazer uma poesia com imagens poéticas fortes e inspiradoras e depois de pronta e aprovada por todos "autores" desenvolverei um "vídeo-clipe" da poesia, com fundo musical instrumental e a voz de uma grande amiga locutora, recitando nossos versos recheados de imagens que hão de esculpir sentimentos em cada um de nós. Conto com todos vocês, poetas adormecidos.


"A solidão é uma liberdade que não compensa"


Bjota

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Colorido do amor


COLORIDO DO AMOR

O mel desses cabelos
Ouro que reluz toda manhã
O céu ... e pertinho as estrelas azuis
Bom dia, meu bem!

O corpo matéria prima
Fogo que incendeia
Mútuos anseios
Primeiro o olho aceso
Acende e satisfaz

A janela entreaberta
Os sonhos entrando já de manhã
As crianças na rua, a mesa, a maçã
E as mãos despindo o desejo em comum

A porta de casa
Assiste quem passa
Só passa você
As cores da cama desfeita
Bagunçam a cabeça e as palavras


Embaixo do preto, tem rosa e vermelho
Não me pergunte por quê
No meio, o amarelo conduz o desejo
Explica a que veio
E o peito comporta
O que não tem tamanho e nem cor

Bjota - 2006

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Se eu quiser falar com Deus...


Se eu quiser falar com Deus...
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data

Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar decidido pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

Gilberto Gil - 1980

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Obrigado


Gostaria de agradecer as pessoas mais presentes neste blog. Obrigado pelo incentivo, estímulo, cobranças quanto aos novos textos, críticas, elogios, desacordos, enfim. Agradeço de coração a visita de todos e aproveito para lembrar que o blog é um espaço "nosso" e não meu. As portas estarão abertas a todos que quiserem propor novas discussões, textos, enquetes, passa-tempos ou que quer que seja. Afinal, sem a presença de vocês o blog perde toda a sua razão.

Em São Paulo agradeço a Celina, "Cê-rinhosa" pelas visitas periódicas. Nos tempos de "marasmo criativo" penso nas suas cobranças e me ponho a escrever...

Em Barcelona agradeço a Dra. Mônica, pelo apoio, amor, puxões de orelha e torcida. Te echo de menos joder!

Em Munique, agradeço ao carinho e as palavras inspiradas da Flora. Tinha me esquecido daquele verso Flora, foram tantos anos e você guardou! Grata surpresa! Me emocionei...

Em Belo Horizonte agradeço a minha querida Cecília cuja alma é de artista, tenho certeza. Aninha Borges pelas palavras ou melhor dizendo: os versos! Porque você não cria um blog só seu? Tácio pela visita e elogio, mesmo sendo desconhecido. Rachel, como boa geminiana adoro suas inteligentes intervenções e as propostas para discussões sadias e contraposições sinceras. Este espaço também é seu. Bianca Tomich: você devia postar algum comentário no blog ao invés de enviá-los para o meu celular! Marco, saber que você usuou 2 frases do blog em uma discussão com a sua namorada me causou espanto! Manual de consuta, agora? Em casa agradeço a "dona Lucinha" você chorou mesmo lendo algum texto? Isso é bom ou ruim?

Em Poços de Caldas agradeço a Lauana que tanto divulga "Versos Sem Rima".

Em Divinópolis Bruninha, obrigado. Lembre-se: discordar é preciso. Duvidar não é pecado, pode ter certeza.

Em Curitiba agradeço a Aninha. Atenciosa, direta e precisa! Como sempre...

Deixo registrado os blog´s de Júlia Zuza (prefiro Zuza Júlia tenho mania de apelidos). Suas poesias tem gosto e aroma. Me lembram vovó Cora Coralina. Cada página, uma broa e a sensação do "hummm" que desce pela garganta e se acomoda no peito. E ao inspiradíssimo blog "Coração na boca" da Fernanda Mello. É uma honra e prazer receber um elogio da "mulher de frases e fases". Mineira, letrista, poetisa. Com os dedos sempre nas teclas ou canetas você escreve poesia e a gente rabisca na alma belezas com os versos que lê.

Me inspirei no talento de vocês e aprendo muito com a poesia feminina, com essa polaridade energética que há de ser fio condutor dos novos tempos neste planeta!

Por fim, agradeço a todos que ainda não se manifestaram mas passeiam pelo blog. É um prazer receber a visita de cada um de vocês! Tenham certeza disso. Um muito obrigado especial a Ana Paula minha colega de trabalho que acompanhou e dirigiu a criação do blog. Ana o primeiro passo foi seu e a você meu sincero obrigado. A internet agradeço a possibilidade de ir tão longe, chegar a terras quase inimagináveis e sequer visitadas levando meus pesamentos, loucuras e devaneios.

"Um verso é uma forma mágica e sem receita que não apenas satisfaz, vai além e encanta"

Bjota

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Letra e Música


Letra e Música

Tem músicas que a gente escuta e sobe um calafrio pela espinha, desce um nó pela garganta, estaciona no coração um aperto que assusta pelo tamanho que ocupa. São as formas que o inconsciente encontra para expressar suas necessidades e muitas vezes uma música é capaz de nos lembrar o valor de uma pessoa, um local, de uma época da vida que se perdeu e a perda forma amargas, mas também doces imagens na memória.

Existem músicas que literalmente falam conosco. Por exemplo: quando eu ouço “preciso dizer que te amo” do Cazuza, meu coração agradece. Pra cada batimento cardíaco, uma batida de palmas! Acelerando os batimentos, meu inconsciente se comunica comigo através dessa música. Cada verso reaviva na memória e no coração a imagem de um grande amor cuja trilha sonora era essa canção. Voltam lembranças, cores, consigo sentir o cheiro daquela paixão. Fotos, filmes, vídeos também tem esse poder. Mas nada se compara ao efeito que uma música alcança, quando ela toca fundo.

“E até o tempo passa arrastado, só pra eu ficar do seu lado. Você me chora dores de outro amor, se abre e acaba comigo. Mas nesse novela eu não quero ser seu amigo...não, não...”
Tudo bem, Cazuza era às vezes exageradamente genial! Mas Chico, Gil, Caetano, João Bosco, Lennon, “Miltons e seus tons” também são geniais! E se a gente fizesse um abaixo assinado pra transformar letra de música em matéria escolar? Como matemática, português e geografia.

Já posso ver a professora na sala: “meninos vamos falar de um sentimento muito presente no mundo moderno, na vida do homem adulto: a tristeza. Em termos musicais nos Estados Unidos eles classificaram a tristeza como blues. No Brasil a gente chama: dor de cotovelo, samba-canção. Meus alunos quero que vocês me digam de quem é este verso e o que ele pode significar:
“se lembra quando a gente... chegou um dia a acreditar. Que tudo era pra sempre, sem saber... que o pra sempre, sempre acaba”

Ao estudarmos letras de música nos aprofundamos em poesia, filosofia, sexualidade, em arte. Chegamos ao ponto crucial da vida: o ser humano e seus sentimentos. Por isso eu acho que em vez de votarem a CPI do Castelo ou da Petrobrás, o Senado poderia fazer algo de útil e aprovar letra de música como matéria escolar.

Podemos também encaixar “história” dentro das sub-matérias em que letras de música se dividem. Eu escutei “Since i´ve been loving you” do Led Zeppelin e não sabia se chorava ou ria. Na dúvida, fiz os dois. Ao mesmo tempo! Fui procurar mais sobre o blues inglês e descobri que o povo celta que originou a Inglaterra, era formado por tribos guerreiras que entoavam cantos fortes juntando sons da natureza aos instrumentos musicais. Nesta noite fui dormir e orei por Robert Plant e Jimmy Page. Agradeci a eles por terem feito essa obra de arte. Rock também é arte.

Ainda na Inglaterra e outra vez por causa de uma letra de música, acabei enveredando por outro assunto. Psicologia. Li em uma entrevista que Brian May, guitarrista do Queen, escreveu “Who wants to live forever” a principal música da trilha sonora do filme “Highlander” dentro do quarto de um hotel, após ler o roteiro do filme. Primeira leitura: ele não enxergou o óbvio. Que o filme trata de guerreiros que se matam até sobrar um único imortal. O pano de fundo da história se passa numa tribo celta, onde uma jovem se apaixona perdidamente por um highlander e luta bravamente por esse amor (lembrem-se os celtas são guerreiros), mas ela envelhece e morre. Brian então sabiamente nos pergunta no título da canção: “quem quer viver para sempre”?

Cristofer Lambert, o highlander imortal por quem a jovem celta se apaixona então brada no filme: “não vou mais me apaixonar, serei forte como uma rocha”. Essa frase ficou ecoando na minha cabeça e descobri na psicologia que essa tendência se chama: “indiferença emotiva”. É uma defesa. Se você não ama ninguém, não tem nada a perder. Mas convenhamos, não dá pra ser forte como uma rocha porque uma rocha não sente dor!

O que seria da poesia, escultura, cinema e das nossas letras de música sem a dor? Quando você sente na pele do que a dor é capaz, você se permite mudar. Essa é a ordem natural da vida.
Voltando as letras e as músicas: boogie oggie (uma disco song de fins dos anos 70) eu escutava de dentro da barriga da minha mãe. Devo ter escutado tanto que nasci sem cacuete nenhum pra dança. Mas outro dia ela tocou no carro, eu encostei (sou politicamente correto), liguei pra minha mãe e disse: “obrigado por me colocar nesse planeta, eu te amo”. Música além de tudo, faz a gente ficar mais emotivo.

No cinema você pode assistir ao filme: “Letra e Música” com Drew Barrymore e Hugh Grant, todos encantos e desencantos dessa mágica parceria. A internet também se rendeu a este assunto: http://www.vagalume.com.br/ . Basta você escolher o autor ou a canção e se deliciar. Eu passo horas “estudando”. Comecei pelo capítulo nacional e fui em todos os gêneros: Ivan Lins, João Bosco, Guilherme Arantes, Djavan, Lenine, Arnaldo Antunes, Paulinho Moska, Pedro Luís e a Parede, Jota Quest, Skank, Barão Vermelho, etc...

Outro dia tentei desvendar a música “O que será, que será” do Chico. Dentro de uma perspectiva mais racional, eu queria entender se ele está falando de amor ou sexo, ou dos dois o tempo todo ou em tempos distintos ou se havia um terceiro assunto escondido. Mas de repente ele escreve: “O que não tem decência nem nunca terá O que não tem censura nem nunca terá O que não faz sentido”

Aí eu desisti da idéia porque obviamente, não faz sentido. Mas em compensação descobri que “Drão” é o nome de uma ex mulher do Gilberto Gil, que “Menino do Rio” Caetano fez em homenagem a um surfista carioca que fazia “estragos” no Rio de Janeiro dos anos 80, que você pode saber mais da vida do artista sem precisar comprar a revista Caras. Basta ler e escutar com atenção as letras, porque toda letra tem algo a dizer.

Tem letra que diz alguma coisa no MSN, no Orkut, na pichação no muro da sua rua ou na lataria do ônibus que você pega num dia triste, infeliz, daqueles que a gente nem deve sair de casa. E nesse mesmo dia, na hora do almoço, no banheiro do buteco você lê rabiscado em português errado:

“A umanidade é desumana. Mas ainda temos chance, o sol NAISCE pra todos. Só não sabe quem num quer”

A psicologia diria que esse “contato” foi feito pelo seu inconsciente. O espiritismo diria que foi um espírito do bem, o catolicismo afirmaria; foi seu anjo da guarda. Eu te digo: não importa de onde vem o contato, entenda que a vida tem suas regras e uma delas é te surpreender!

É por essa falta de sensibilidade e percepção das pessoas que eu ando um pouco cansado da vida adulta e de seus afazeres, então no meu rádio atualmente anda tocando a trilha sonora do passado. Volume máximo para reavivar tempos mais suaves, mais alegres, quase inocentes. Pensando nestes momentos, me lembrei do meu pai ouvindo João Bosco em casa, tomando um bom wisk no bar e resolvi ir fundo nessa viagem. Comecei a “estudar” e estudar João Bosco e achei uma música que definitivamente foi feita pra mim. Pelo menos se eu levar em conta meu atual estado de espírito.

“Ninguém tira do amor, ninguém tira, pois é Nem doutor nem pajé, o que queima e seduz, enlouquece O veneno da mulher O amor quando acontece a gente esquece logo que sofreu um dia, esquece sim”

Percebi então que embalado por canções, a gente pode se interessar por poesia, psicologia, arte, história ou pode se interessar em simplesmente rir ou chorar ouvindo aquela canção que toca a alma e o coração. Alguém disse que o poeta é um atleta da dor. Sei lá. Já que o nosso assunto é letra de música, só posso dizer que “eu sou poeta e não aprendi a amar”.

“Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece a outra de imediato”
Caio Fernando de Abreu

Referências


Referências

Atendendo a alguns pedidos, explicarei de forma mais detalhada de onde surgiram as referências que ajudaram a conceber o texto: "Letra e Música". A idéia é levar um pouco mais de informação a quem se interessar por alguma referência e quiser conhecer mais e mais de letra, música e cinema seguindo a ordem que as citações aparecem no texto original.

A música “Preciso dizer que te amo” foi composta em 1986, por Cazuza, Bebel Gilberto e Dé (então baixista do Barão Vermelho). Segundo Bebel que namorava Dé na época, todos compositores estavam apaixonados e Cazuza fez a letra em 30 minutos, com o seguinte refrão: “Preciso dizer que te amo, desentalar esse osso da garganta”. Dé retrucou: “Cazuza, esse refrão tá punk demais” e Cazuza respondeu: “Porra...Dé me avisa quando não estiver bom. Peraí que eu vou mudar”. Passados mais 30 minutos Cazuza reaparece com o novo refrão: “Preciso dizer que te amo, te ganhar ou perder por engano”.

O que se segue é que Marina Lima, amiga íntima de Cazuza rouba a letra, faz a música e a coloca em seu disco. Um ano depois Cazuza recebe o prêmio Sharp de melhor letrista do ano por “Preciso dizer que te amo” concorrendo com um tal de Chico Buarque. Alguém conhece?

Cássia Eller regravou em 1991 a música “Por enquanto” da Legião Urbana e foi a primeira música de sua carreira que tocou nas rádios. Renato Russo disse que aquela era a melhor regravação de uma música da Legião até então feita e seu comentário alavancou a carreira de Cássia. Ao longo dos anos eles se tornaram amigos e Renato deu um presente para Cássia. A música “1º de julho”. Reza a lenda que Cássia chorou ao ouvir o refrão. E o refrão é a tradução de Cássia, a essência da mulher guerreira, persistente. O refrão é também, a tradução de como Renato Russo era brilhante.

“Since i´ve been loving you” do Led Zepeplin foi composta em 1968 e fazia parte do primeiro disco da banda. Nando Reis escreveu na antiga revista musical Blitz, que Jonh Paul Jones fez a linha de baixo e de teclados ao mesmo tempo. É na minha opinião o vocal mais inspirado e dramático de Plant e o solo mais criativo de Jimmy Page.

“Who wants to live forever” do Queen faz parte do disco “A Kind of Magic” produzido em 1986 para ser trilha sonora do filme: “Highlander – o guerreiro imortal”. Recomendo neste mesmo disco a linda balada “One year of love” do talentoso baixista Jonh Deacon.

Fugindo um pouco às citações do texto “Letra e Música” vou fazer uma indicação. No disco Queen II, de 1974, o auge do experimentalismo da banda, o guitarrista Brian May compôs a balada “White Queen” (só fazer a busca no youtube) com letra e arranjos tocantes. Este disco chamado “Black&White” foi dividido em 2 lados. No lado preto havia só composições de Freddie Mercury, o lado branco só de Brian May. A banda permaneceu junta por 21 anos, porque as forças criativas se equilibravam. Brian era quase tão talentoso quanto Freddie. O baterista Roger Taylor revela em uma entrevista nos anos 80. “Não importa o que aconteça, a gente pode sempre voltar pro Queen, como quem volta pra casa da mãe”.

Na virada de 1977 para 1978 o grupo americano The taste of Money, ganhou o prêmio Grammy, de melhor artista novo com a música “Boogie Oogie Oogie”. Nenhum outro grupo de dance music alcançou tal façanha nos anos 70. Esta música foi uma febre nas discos brasileiras.

Na internet é possível conseguir uma versão de “O que será, que será” com Milton e Chico dividindo os vocais. Na minha opinião é a melhor versão da música. Elis Regina quando conheceu Milton Nascimento em um estúdio em São Paulo disse: “Cara, sua voz é a voz de Deus”. Isso explica um pouco a beleza dessa versão. A poesia de Chico esculpe sentimentos no peito e na alma, basta você ouvir e sentir.

“Quando o sol bater na janela do seu quarto” da Legião Urbana foi regravada em 1999, por Frejat no disco Balada MTV, mas aos meus ouvidos a versão original é imbatível. Gosto é subjetivo.

João Bosco nos anos 80 começa a compor com Abel Silva e é deles a pérola: “O amor quando acontece”. Diferente do que a maioria das pessoas pensa, esta letra não é de Aldir Blanc, o mais constante parceiro de João Bosco.

Com relação a referência que faço sobre “indiferença emotiva” você encontra no livro “Perdas Necessárias” da brilhante Nova Iorquina Judith Viorst, uma completa avaliação da força da perda e de seus efeitos na vida das pessoas. A psicanalista desnuda a vocação humana em manter uma péssima convivência com a perda, algo tão necessário ao nosso crescimento. Agradeço a minha irmã, Dra. Mônica Santos, psicóloga e estudante desta ciência em Barcelona, por me dar este livro e insistir comigo na leitura. Baby, sua partida foi uma perda necessária que trás inúmeros benefícios.

O cinema retrata também de forma profunda e envolvente essa faceta do ser humano. Recomendo o filme “Fatal” com Penélope Cruz e Ben Kingseley em atuação magistral. É ver para crer...

Por fim “Malandragem” de Cazuza e Frejat foi composta em 1988 e dada de presente para Ângela Rô Rô. Aproximadamente 5 anos mais tarde, Frejat estava conhecendo o trabalho de uma então desconhecida cantora chamada Cássia Eller e resolve lhe presentear com a referida música. Frejat liga então pra Ângela Rô Rô e travam o seguinte diálogo:

- “Ângela... é Frejat. Você vai gravar ou não Malandragem? Já se passaram tantos anos... tô achando essa música a cara de uma nova artista.”
- Rô Rô replica: “Ohhh Frejat, Cazuza não te falou não?
- Frejat: “Não... Cazuza não me disse nada!”
- Rô Rô: “Eu achei essa música uma merda Frejat!!! Faz o seguinte: dá pra quem você quiser e faça bom proveito”.

O resto dessa história todo mundo conhece! A letra é um tanto comum. A música é um rock vibrante, o refrão é quase genial e a vida, a vida é mesmo surpreendente...

Eclipse


Acho que a essência da poesia Eclipse ilustra os textos: "Letra e Música" e "Referências". Afinal a "vida entra, não pede passagem"


ECLIPSE

Hoje o eclipse não é oculto
Como na canção de Caetano
Denuncia o pecado mais sagrado
Não é uma questão de sorte
Ás vezes o amor
Assusta mais do que a morte

Na madrugada
O eclipse pintou um quadro
Que eu retoco com o meu olhar
Deixou o céu escuro
Como a taça cheia de vinho
Uma beleza que embriaga

Olhando pela janela
O eclipse me deixou criança
Com a coragem de sentir medo
Embalou meus sonhos pra viagem
Mas a vida entra, não pede passagem

Hoje o eclipse tirou o brilho da lua
Refletindo em mim o pecado mais sagrado
Não é uma questão de sorte
Ás vezes o amor
Assusta mais do que a morte

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Sinceridade


"E a lua cheia lá fora
É testemunha
Que as verdades mais completas
São ditas sempre na cama"

Bjota


Você concorda? Enquanto os lençóis se desfazem com volúpia e vigor os que desejam conquistar e os que já foram seduzidos abusam do mesmo tipo de sinceridade? Quinta-feira próxima, dia 9, já é lua cheia....você é capaz de responder essa?

Pátria Inventada



A caricatura acima foi especialmente "inventada" para esta poesia pelo cartunista Son Salvador do Jornal Estado de Minas.



PÁTRIA INVENTADA

Você não percebe que a realidade rouba destes versos
Toda veracidade
De um povo heróico um brado retumbante
De gente sofrida com leis indiferentes

Teus risonhos lindos campos tem mais flores
Nesta terra, a lei é regida pela força dos teus senhores
Se nossos bosques tem mais vida
Por que nossa vida em teu seio é repleta de temores?

Terra adorada
Dentre outras mil
És tu pátria inventada
Gigante pela própria natureza
És órfão com certeza
Não sabe que teus filhos sentem fome
Ou é desnaturada por natureza

Teu talento pra submissão
Mais parece uma conspiração
De quem não quer acreditar
Quem em ti plantando tudo se dá

Teu futuro aspira alguma grandeza?
Pátria inventada
Dos filhos deste solo, és mãe desnaturada

Se és mãe contra a vontade
Deve ser adotada
Deixa que teus filhos lhe mostrem
Pátria inventada
Que sem presente, o futuro pode dar em nada

Diz para os Judas que te governam
Você não vai mais trair quem te fez forte, impávido como um colosso
Aconchega tuas ovelhas desgarradas
Faz do teu solo adubo
Para os estômagos desesperados
Dá-lhes pão, comida, uma possibilidade
De perceber que nesta terra, sonhos tornam-se realidade

quarta-feira, 25 de março de 2009

Mulheres



"Belas mulheres são como antigas esculturas: você nunca vai desfrutar delas, senão parar de tentar entendê-las" Freddie Mercury

Mercury


É curioso e instigante perceber o quanto a vida é imprevísivel! Freddie Mercury foi um dos cantores e performers mais andróginos da história do rock mundial e ainda sim criou um dos pensamentos mais originais e sinceros sobre a essência feminina. Bissexual assumido, Freddie teve mulheres, mas os homens foram bastante numerosos. Dono da voz mais poderosa e marcante dos últimos 30 anos desde o falecimento de Elvis, Freddie ainda era um compositor de mão cheia, um artista incrivelmente talentoso e com seu incontestável carisma reinou abosluto nos palcos mundo afora, nas décadas de 70 e 80 ao lado de Brian, Roger e Deacon seus companheiros no Queen. Por seus amigos e colegas, Freddie Mercury é lembrado como um espírito livre, criativo, generoso, cheio de energia, talento e excelente senso de humor. Por nós, ele será sempre lembrado pela soma de todas essas qualidades expressa em música: Bohemian Rhapsody, Love of my Life, We are the Champions, Crazy Little Thing Called Love, Sombody to Love....

sábado, 21 de março de 2009

Seria


O Bonsai é o símbolo de paz e harmonia que o oriente trouxe para o resto do mundo. Dentro da sabedoria japonesa, a constituição do Bonsai com seu desenho sinuoso e agradável oferece aos nossos olhos a sensação de bem estar e felicidade, a que universalmente chamamos: harmonia. Como qualquer árvore o Bonsai precisa de cuidados e atenção para que mantenha saudável a sua essência. Na verdade podemos dizer que a simbologia do Bonsai se identifica com a fragilidade e a beleza da vida humana.

A idéia é que ao se levantar da cama, as pessoas se deparem com o Bonsai e lembrem-se de tratá-lo com carinho, atenção, regando suas folhas, podando seus excessos e parasitas para preservar sua beleza e harmonia. O interessante é que a nobre iniciativa de cuidar do Bonsai deixa de ser um passa-tempo e acaba nos distanciando dos nossos próprios problemas e de tudo que em nossa vida também precisa ser podado, irrigado e cuidado.

Hoje em dia os excessos acontecem naturalmente: o excesso de trabalho, de alimentação ruim, de desculpas, de vaidade, solidão, excesso da falta de amor, excesso da falta de iniciativa em transformar todo excesso em energia positiva, em equilíbrio. Porque equilíbrio é o segredo do sucesso.

Seria tão saudável esquecer momentaneamente os Bonsais, os gatinhos e cachorros de estimação, o relatório do trabalho, a prova da faculdade, o problema do vizinho. Esquecer de tudo isso e acordar para os mecanismos que seu cérebro usa como fuga e que fazem você cuidar dos outros, no lugar de concentrar-se em você mesmo. Afinal, todo mundo merece ser feliz e a felicidade dentro de uma perspectiva mais simples, é fazer por onde. Este texto não é de auto-ajuda e nem tenta simplificar os problemas de cada um. Não mesmo! Apenas constata: se existe movimento, se existe comprometimento, as coisas acontecem, o universo conspira a favor. Ops e daí você pensa: esse cara acha que é um guru? E eu respondo novamente: não mesmo!

O problema é que movimentar a vida em busca da felicidade e harmonia é tão simples e óbvio, que acaba não sendo evidente. Que tal resolver hoje os problemas que poderiam ser empurrados para amanhã? O que é isso? Um pensamento. Perceba que traduzir em atitude o pensamento é o começo de tudo, o começo do movimento. Espero que daqui para frente exista movimento em todos os meus dias. Seria tão bom....



SERIA...

Que bom seria
Se fosse mais fácil conduzir a vida
Se todo dia não tivessem tantas perguntas
Para serem respondidas
Se fosse deitar e amanhecer
Não se preocupando por quê

Bom seria
Se fosse diferente todo dia
Longe da monotonia
Chorar por alegria
Sorrir diante da melancolia
Certo de que ela passa
Tudo passa um dia

Que bom seria
Se a nossa vontade
Não fosse apenas sonho
Acontecesse de verdade

Seria tão bom
Viver a vida que a gente não vive
Esquecer da tristeza que insiste

Que bom seria
Se tudo deixasse de ser e fosse
Barriga cheia
Cabeça feita...

Se tudo fosse de verdade e não de imaginação
Ver a chuva dentro de casa
Andar na rua sem muita preocupação


Que bom seria
Se achar quem te completa
Não fosse ingrata tarefa
De ser achado e não ter que achar

Que bom seria
Se toda saudade fosse feita de sorrisos
E não de lágrimas

Que bom seria
Se tudo fosse
E há de ser um dia...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Samba no pé

Uma homenagem a todos que como eu apreciam este ritmo genuinamente brasileiro, mas que não gostam de se comprometer nas rodas de sambas espalhadas pelo Brasil afora...



SAMBA NO PÉ

Quem pensa que samba é só batucar
Balançar o pé ... se engana
Samba tá no sangue
Até de quem não balança

Eu traço o mapa do samba
Sem balançar a cadeira
Corre na veia, meu camarada

E quem é que vai me dizer
Se o samba tá no pé
No batuque da mesa
Na liberdade de ser
O que se é?

Samba não tem dono ...
É bicho solto, malandro!
Carioca, paulista, mineiro
Não tem essa prosa, meu amigo
É totalmente brasileiro

Samba não tem raça, não tem jeito
Sambo parado, sem gingado
Mas balanço a cabeça
E grito consciente na roda
Samba é a raiz da identidade
Branca, negra, brasileira

Nêgo, por isso te deixo um recado
Aqui no terreiro
Quem pensa que samba é só batucar
Balançar o pé ... se engana
Samba tá no sangue
Até de quem não balança

segunda-feira, 16 de março de 2009

Nota 10



Alguém sabe me dizer porque o número 10 tem tanto valor? Pelé eternizou a camisa 10 dos clubes e seleções em seus 20 anos de carreira, marcando 1.284 gols. Ganhou tudo que foi possível e transformou o “10” em sinônimo de qualidade, eficiência e diferencial. É uma resposta razoável? Você já percebeu o quanto todo mundo comemora ou se lembra com carinho dos: 10 anos de formado, 10 anos de casamento, 10 anos de empresa (alguém ainda permanece 10 anos na mesma empresa)? Meu filho é nota 10 e assim por diante.

Mas e você, o que estava fazendo em fins de 1998 e início de 1999? Há 10 anos atrás tínhamos na agenda do planeta: o Brasil ainda de rebordose pela surra que levou da França na final da copa de 1998, tínhamos o BUG do milênio que já assombrava as empresas e governos, o eclipse lunar de 1999 que acabaria com o mundo, o Brasil sofria o primeiro blecaute de sua história, eu tinha acabado de passar no vestibular e uma banda de rock varria os Estados Unidos com seu disco de estréia: New Radicals.

Seu vocalista, produtor e principal letrista Greg Alexander foi responsável por criar um dos maiores hits da década de 90: you get what you give. O disco de nome “Maybe you´ve been brainwashed too” além de contar com outras grandes canções, tinha como ponto forte o timbre agudo e envolvente de Alexander. Se você fechar os olhos em algumas músicas do disco vai achar que Mick Jagger mudou de banda.

O disco foi muito bem recebido pela crítica nos Estados Unidos e alcançou o surpreendente quinto lugar na parada britânica. Um tremendo estouro para um disco de estréia. A banda ainda contava com a bela e sensual atriz Danielle Brisebois que fez backing vocals em algumas músicas e co-escreveu, junto com Alexander, o single "Someday We'll Know". Você pode ver Danielle no clipe original dessa música, atrás de Greg tocando percussão e fulminando a câmera com um olhar sedutor. Esse mega hit encantou a crítica americana pela poesia e lirismo da letra que faz referências ao amor eterno, cinema, e até mesmo fatos bíblicos e da história recém moderna como o desaparecimento de Emily Ehart, primeira mulher a cruzar o oceano atlântico de avião. Entretanto exausto pela turnê de lançamento do disco, Greg Alexander literalmente chutou o pau da barraca e encerrou as atividades da banda, tornando-se ainda um produtor de sucesso. É produção dele o hit “The game of love” de Carlos Santana e Michelle Branch.

Aqui no Brasil “Some day we´ll know” poderia ter sido composta por Arnaldo Antunes, Renato Russo ou Cazuza. Na Inglaterra David Bowie poderia facilmente ter escrito a letra em função do seu reconhecido talento para usar metáforas. Mas foi Greg Alexander que roubou a cena compondo uma das maiores baladas dos anos 90. Nada mais justo que uma singela homenagem aos 10 anos, dessa música nota 10, de uma banda 10, que infelizmente durou muito menos do que uma década e deixou o cenário pop/rock bem menos interessante. Será que “algum dia nós vamos saber” porque essas coisas acontecem?
OBS: a versão postada aqui e com tradução em português, embora fiel não é a da banda. Recomendo a versão original do New Radicals disponível no youtube e também legendada em português, mas esta versão não pode ser anexada em blog´s.

Saber amar


Tantas pessoas talentosas, criativas, vividas, bem e mal amadas escreveram sobre o amor e ainda sim ninguém conseguiu chegar a um consenso. Talvez isso aconteça porque não exista um ponto em comum sobre este assunto. O amor é um sentimento universal, mas forma como você o sente é demasiadamente particular. É sua e ponto final. Alguns tem menos resistência para vivê-lo, outros o enxergam como um obstáculo quase intransponível. Em se tratando de amor é bem verdade que um pouco de cautela não faz mal a ninguém. Não precisa estufar o peito e se atirar ao sentimento como quem bebe uma garrafa de água no deserto africano. Assim você pode engasgar e a tosse que o amor deixa na garganta pode permanecer por tempo indeterminado impedindo você de dizer eu te amo. O ideal é não confundir cautela com medo. Porque o medo limita e impede que a gente avance, veja a realidade como ela é.

Freud, Drumond, Nietzsche, Lennon, Chico e Caetano não conseguiram decifrar o amor então não será este texto que vai atingir tal proeza. Nem eles, nem eu e você vamos conseguir. Aliás o melhor que temos a fazer é parar! Vamos parar de tentar decifrar o amor, porque o amor foi feito para ser vivido e nem tudo que a gente vive é compreendido. É necessário legenda pra saber que quando seu cachorro de estimação late e abana o rabo para você ele quer dizer: eu te amo? Amar é viver intensamente o sentimento, seja por quem for. É simples assim e gastar energia tentando entendê-lo é perda de tempo, é desperdício. Além do mais, desperdiçar qualquer coisa é politicamente incorreto hoje em dia.

Eu particularmente passei muito tempo com uma calculadora na cabeça, computando se com uma pitada de “gostar” e muito de “paixão” eu já estaria amando. E o resultado? Eu nunca acertei os cálculos! A matemática do amor não é exata. Pelo menos eu sempre compreendi que errar é humano, por isso digo: Permitam-se! Errem e acertem porque ninguém nasce sabendo como é que se faz. Se assim fosse, cada um de nós seria como Benjamin Button. Aquele mesmo que Brad Pitt interpretou no cinema. Todo mundo nasceria sabendo como se portar diante dos fatos. Mas a vida é muito maior do que o roteiro de um filme chato, previsível e sem direito a oscar algum.

Usar um tom confessional nos textos é sempre muito complicado, mas a vida não é simples e eu confesso: em matéria de amor eu errei muito. Muito mesmo! Com os desacertos aprendi muitas lições. Estou melhorando e evoluir é não cometer as mesmas falhas do passado, por isso desejo ardentemente que a vida me aplique outros e outros “testes”. Quem não quer uma segunda, terceira, quarta chance? E que fique claro: o objetivo não é acertar, o importante é dar o melhor de si porque não tenham dúvidas: amar é se despedir de qualquer certeza...
Fico acima de tudo com Herbert Vianna que escreveu:
“Saber amar, é saber deixar alguém te amar”

Retórica do peito

Essa poesia ilustra muito bem parte do texto: "Saber amar". Muitas vezes deixamos que a eterna briga entre cabeça e coração prevaleça, quando na verdade razão e sentimento devem se ajudar. Devem entender que um depende do outro para ser feliz!





RETÓRICA DO PEITO

Toda vez que você está longe
Leva pra longe, pra não sei onde
O que eu custei pra acreditar
E o meu peito ameaça:
“Cuidado, esse negócio de sentimento não é para você”

Toda vez que você some
Some junto, o que eu costumo não aceitar
Surge um aperto aqui por dentro
É o meu peito dizendo:
“Agora senti na pele, do que a saudade é capaz”

Toda vez que você parte
Parte ao meio
O que eu custei pra juntar!
Meu peito logo avisa:
“O que ela precisa, não é assim tão difícil de dar”

Toda vez que você fica
Fica assim, o meu mundo com um gosto de paz ...
É o peito entregando, o que eu insisto em negar!
“O amor é ação contrária, não se vê com os olhos da cara”

Toda vez que você volta
Traz de volta o que eu prefiro ocultar
E o peito logo grita:
“Não seja inocente, aceita esse presente
Que é pro seu e o meu bem”.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Balada da Insônia


Essa letra é dedicada a todos que como eu são seres lunares! A todos que nos dias de lua cheia (isso mesmo, afinal com tanta luz a noite passa a ser dia) não conseguem olhar pro céu sem procurá-la. Fonte de inspiração, de luz, encantamento e tesão! A essa energia clara e oculta que acelara o corpo e insiste em acordar os pensamentos!



BALADA DA INSÔNIA

Tem noites que o sono
Vira um bloco de gelo
Endurecendo de pouco a pouco
O raso e o fundo do peito

Quando a insônia penetra
A gente desperta para eternas perguntas
Será que o céu da noite é preto
Ou azul escuro?
E o destino do amor, por favor
É ser calmo ou tenso?

E pelas grades da janela
A insônia faz companhia
Liberta o pensamento
Instiga a procura
Pelos detalhes da lua (Nova, cheia ou imensa)
Pelo cheiro da noite
Ou o gosto da chuva
Pelo sentimento mais reluzente
Um procurado que se esconde

Insônia ingrata companhia
Solta pela janela
Um abraço que congela
Até lágrima escorrida

E não tem arma
Que me proteja
É doença sem cura
Querer entender
Em apenas uma noite
Tudo que o coração confabula
"Versos sem rima"


Na literatura como em quase tudo na vida, a gente tem uma certa tendência a gostar "por identificação". Das cores aos carros, passando pelos livros/autores, músicas, roupas, enfim. É importante ressaltar que o gosto de cada um é uma tradução muito particular de seus desejos pessoais, porque o que é admiravelmente bonito para mim, pode soar agressivo aos seus olhos ou ouvidos. Que assim seja, imagina o tédio que viveríamos se as 6 bilhões de pessoas deste planeta concordassem em tudo? Melhor nem imaginar porque o pensamento constrói, edifica, têm poder.


Voltando aos gostos e desejos, eu comecei a perceber que na infância você pode se indentificar com o time que seus pais torcem; pode gostar muito do azul, se o azul for a cor do carro que o papai tem na garagem. No primário você pode ser apaixonar pela coleguinha que senta ao lado porque os cachos dela teimam em se parecer com os cabelos da sua mãe; pode aprender a gostar de motos já que o vizinho apareceu com um modelo que você nem mesmo sabe o nome, mas sabe dizer que é linda! Você pode gostar do que for, desde que haja indentificação com a personalidade que brota dentro de você. É natural que a identificação nasça da influência de pessoas próximas a gente. E se não for dessa forma, a gente cria a identificação usando, é claro, os nossos próprios gostos. Não é disso que estamos falando?

Na literatura por exemplo, meu "pai" foi Carlos, o Drumonde de Andrade. O poeta assinava com o coração e falando em coração, ele foi um grande cúpido. Me apresentou à minha primeira grande paixão: a poesia. Mais tarde ouvindo, lendo e porque não, cantando Cazuza descobri que a gente não precisa ser intelectual, não é necessário saber o nome da capital da Ucrânia (que por sinal é Kiev) pra ser poeta. Basta estar vivo e enxergar o mundo com os olhos do coração. Aprendi a lição Cazuziana e como ele me lancei de forma "exagerada" aos versos. Pra "gente" é tudo ou nunca mais....

Já quase adulto li "Em cima da rua" e me transformei na primeira pessoa a ter uma "terceira avó". O nome dela? Cora, provinciana, goiana, humana, Coralina. Me identifiquei com a capacidade de Cora universalizar sua individualidade, seus sentimentos e anseios, dúvidas e amores que além de serem goianos e provincianos, eram sobretudo humanos. Assim como os meus e os seus. Então de tempos em tempos pedia "benção" em seus livros e devorava páginas e páginas como o netinho que devora a broa de fubá da vovó! E de broa em broa percebi que a vovó também tinha os seus questionamentos, assim como eu que ainda acordava pra vida. E vovó um dia em uma entrevista na TV com sua voz doce e embargada exclamou: "Ué. Porque a gente não pode libertar o verso da rima!!? Pode libertar sim. Poesia não é uma prisão".

E eu pensei: "poxa...mesmo na TV, vovó dá um jeito de falar comigo. Isso sim é identificação".
Sempre acreditei que na poesia pode tudo, inclusive libertar o verso da rima! Não tem regra, conduta, manual de instrução. Aliás, tem sim. Siga sempre o pulsar, os batimentos do coração. E quando você sentir aquele aperto ou solavanco no peito, pode acreditar: o verso está pronto! Me identifiquei tanto com minha "terceira avó" que criei em seguida, quase que instantaneamente: "Verso sem rima" a poesia que dá título ao blog. E depois de tantos e tantos anos continuo acreditando que "o verso libertado da rima, é como a vida que não se prende à razão".

VERSO SEM RIMA

De que vale se sentir
Assim tão especial?
Se o lado esquerdo do peito
Mais parece um astro a vagar pelo espaço sideral ...

A métrica da minha rima
Não se liberta da solidão
Eterna companhia
Nos dias frios ou quentes de verão

Porque não libertar o verso da rima?
Fazer como a vida que não se prende a razão
No amor nem tudo faz sentido
Essa é a mensagem do coração

Vou instaurar um inquérito
Pra desvendar a alma e seus mistérios
Mas meu coração não custa caro
Se você me subornar oferecendo colo
Pode até me corromper
Baby eu arquivo o processo
Por debaixo dos seus beijos
E não entrego você

Na verdade a mentira
É o melhor disfarce
Para um coração triste e mal amado
Você mente dizendo: “Eu te quero“
E eu minto dizendo: “Obrigado”!

Porque não libertar o verso da rima?
Pode parecer beleza sem simetria
Sexo sem paixão
Mas no amor nem tudo faz sentido
Essa é a mensagem do coração ...